O professor de Educação Física e paraatleta londrinense Alexsandro José Carvalho Grade, 35 anos, está com planos de se mudar para a Europa porque lá obtém maior reconhecimento do seu trabalho como instrutor de natação e como atleta. No Brasil e na América do Sul já ganhou quase tudo em competições de natação específicas para surdos. Pela Federação Internacional de Desportos para Surdos já foi 17 vezes campeão brasileiro e sul-americano.
  No momento, seus planos estão voltados para um novo trabalho na Itália ou na Áustria, países onde é freqüentemente convidado para eventos por organizações que atuam com deficientes auditivos.
  Para poder trabalhar com maior liberdade, Grade está na Europa aprontando sua cidadania italiana. Há um mês está em Viena, capital austríaca, treinando para duas competições. A primeira ele já disputou, entre 28 e 30 de abril, em Strassburg, na Áustria – o Campeonato Internacional de Natação para Surdos. Faturou medalhas de ouro nos 50m livre e de bronze nos 100m borboleta.
  Sua próxima competição será também voltada a atletas especiais, na Irlanda, em julho. Como os dois campeonatos tinham datas próximas, Grade decidiu permanecer na Europa. Ele foi convidado para os dois eventos (não precisou passar por seletiva) por já ter disputado duas Olimpíadas para Surdos, a primeira em Sofia, na Bulgária, em 1987, e a segunda em Copenhague, na Dinamarca, em 1991. Neste intervalo também participou de dois Mundiais para Deficientes Auditivos, em Roma e Berlim.
  ‘‘Procuro divulgar a participação nos campeonatos não para meu reconhecimento, pois já conquistei quase tudo o que queria enquanto atleta. O que quero é motivar mais deficientes a praticarem o esporte e provar que é possível para muitos competir de igual para igual com os outros atletas’’, disse Grade, por meio de mensagem enviada para a família em Londrina.
  E o que ele diz já conseguiu provar de fato. Quando era mais novo competia com os demais nadadores filiados à Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). Na década de 90 foi vice-campeão brasileiro nos 100m peito e bicampeão paranaense nos 100m peito e nos 400m medley.
  ‘‘Sua única dificuldade na época era ouvir o som do tiro na largada, então ele ficava olhando para a fumaça que saía da pistola para não pular depois dos outros’’, conta o pai, José Grade. Sua melhor participação nesses Mundiais ‘‘abertos’’ de Natação foi na Inglaterra, em 92, na categoria master, quando ganhou duas medalhas de bronze.
  Grade nada desde os 14 anos e já passou por vários clubes de Londrina. Começou na Acel, depois passou pelo Country e pela Academia Wet Sport. Um dos fatos interessantes em sua carreira é que em 1983, quando competia pelo Clube Golfinho, de Curitiba, dividiu apartamento com Rogério Romero, que representou Londrina e o Brasil em cinco Olimpíadas.

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