Londrinense é ídolo no futebol do Catar
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domingo, 30 de novembro de 2008
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Ricardinho, Roger, Marcinho, Fernandão, Felipe, Araújo, Aloísio. No banco, Abel Braga, Paulo Autuori, Sebastião Lazaroni. Não é a relação de candidatos a estrelas do Campeonato Brasileiro, mas sim, alguns dos brasileiros que foram seduzidos pelos petrodólares e são as atrações no futebol do Catar. No meio deles, outro brasileiro, bem menos badalado e conhecido por aqui, virou estrela no país e hoje comanda o meio-campo da seleção local na caminhada pela inédita vaga em uma Copa do Mundo.
Aos 28 anos, o londrinense Fábio Montezine é titular absoluto da seleção catariana. Junto com o zagueiro brasileiro Marcone e o atacante uruguaio Sebastian, também naturalizados, ele vem fazendo um bom papel na briga. Montezine fez dois gols na primeira fase das eliminatórias, ambos contra o Iraque, na primeira fase, quando o Catar eliminou a China e o próprio Iraque. Na segunda fase, a seleção venceu apenas o Uzbequistão, caindo diante de Austrália e Japão, respectivamente, líder e vice do grupo.
As derrotas, porém, não tiraram do brasileiro a esperança de colocar um país sem nenhuma expressão no futebol na próxima Copa. ''Sabemos que não é fácil, mas temos um grupo muito forte. Nosso time ainda é inexperiente nas competições internacionais, mas estamos crescendo com o tempo'', afirmou o meia.
A esperança no país árabe é de que uma possível vaga na Copa da África desperte de vez a paixão do povo local pelo futebol. Os estádios já são modernos. O Al-Ahli, que está na Segunda Divisão, está construindo um estádio subterrâneo na capital Doha, com capacidade para 11 mil espectadores, devido às altas temperaturas. O estádio, apelidado de 'Laptop', por seu formato, deverá ser inaugurado em 2010 e será um grande trunfo caso o Catar se candidate para sediar a Copa do Mundo de 2018.
Os times estão investindo em estrelas internacionais e, agora, falta somente o torcedor tomar gosto de vez. Até esta semana, seis dos dez times da liga catariana tinham técnicos brasileiros - Émerson Leão foi demitido do Al Sadd Club na quinta-feira. Todos os times contam com brazucas em seus elencos, que foram seduzidos pelos petrodólares. ''O futebol aqui não se compara à América do Sul, mas está crescendo muito. Nesta temporada, os clubes investiram muito em jogadores e comissão técnica'', contou Montezine. ''Pena que não cheguei agora'', brincou, se referindo ao aumento financeiro nas propostas feitas para seduzir os brasileiros.
Seleção
Montezine desembarcou no Catar em 2005 e está na sua terceira temporada por lá. Primeiro passou pelo Al-Arabi e agora defende o Umm Salal, junto com o zagueiro Nivaldo e o atacante Magno Alves, ex-Fluminense.
A regularidade fez com que o meia despertasse o interesse da seleção nacional desde sua primeira temporada no Catar. Porém, a possibilidade esbarrava em um dos requisitos para a convocação. ''Por lei, eram necessários dois anos de residência fixa (para conseguir a naturalização). Como me mantive jogando bem e o time que eu estava me ajudou muito a manter o nível, recebi a proposta e aceitei'', revelou.
Titular absoluto, o meia se mostra satisfeito com a decisão. ''É uma honra (vestir a camisa da seleção do Catar), porque é a valorização do nosso trabalho. Ser convidado para defender uma seleção sendo originário de outro país é ainda mais responsabilidade. Por isso, sou grato ao Catar'', comentou Montezine, que já disputou dez partidas pela seleção local.
As convocações também são frutos da adaptação que o teve em um lugar onde tudo é diferente: crenças, cultura, idioma, culinária e o calor, muito calor. A população é, na grande maioria, muçulmana. ''Mas todos respeitam os outros, nossas religiões e estilos de vida'', frisou o londrinense. Porém, não foi porque se adaptou fácil que ele deixou de pagar um mico. ''Direto eu entro no vestiário gritando e dou de cara com os jogadores muçulmanos rezando (risos). Fico com cara de tonto daí''.
O convívio com outros brasileiros também ajuda e muito na adaptação e a diminuir a saudade do Brasil. O torneio nacional mais parece um Campeonato Brasileiro alternativo, devido à quantidade de brazucas por lá. ''Somos bem ligados, pois são pessoas boas. Quando podemos, estamos juntos. A gente sempre se encontra, faz um churrasquinho para matar as saudades'', contou.
O que incomoda o meia, entretanto, é a falta de público nos estádios, que ficam vazios. ''O povo catariano nos trata muito bem. Adotou-nos como cidadãos catarianos. Eles gostam de futebol, mas não têm a cultura de ir ao estádio. São belas estruturas, mas poucos torcedores. O assédio nas ruas quase não existe a não ser pelos poucos que te param conversar e tirar foto, o que acontece muito com as crianças'', finalizou Montezine.


