Como muitos brasileiros que sonham conquistar fama e sucesso no futebol, o zagueiro Emilson Cribari deixou a família em Londrina há 11 anos e foi para a Itália. Na época, aos 17 anos, foi defender o modesto Empoli levado pelo irmão Binho, ex-jogador do LEC. As conhecidas dificuldades de adaptação com o idioma, clima e alimentação não lhe impediram de sonhar com sua vitória pessoal. Ele estava certo em prosseguir. Hoje, o londrinense é um dos maiores ídolos da torcida da Lazio, um dos principais clubes do futebol italiano.
  Mas para chegar a esse status de ídolo, o zagueiro teve que ‘‘ralar’’ muito. Antes de chegar ao time romano, Cribari passou também pela Udinese, quando começou a ganhar o respeito da mídia especializada italiana. A transferência para a Lazio foi fundamental para que o jogador passasse a ser conhecido também no Brasil.
  Depois de três temporadas com a camisa azul laziale, ele ganhou a confiança da diretoria, comissão técnica e, principalmente, da fanática torcida. Muito desse crédito se deve a coragem demonstrada pelo jogador após sofrer uma grave fratura no rosto no início da última temporada. ‘‘Em 10 dias já estava de volta. Usei uma máscara e ajudei a Lazio a se classificar para a fase de grupos da Champions League (eliminou o Dínamo de Bucareste, da Romênia)’’, conta o londrinense.
  A atitude de Cribari o fez ficar ainda mais conhecido no Brasil. Além de sua demonstração de bravura, em um dos jogos, sua máscara continha as cores da Bandeira Nacional.
Sonho
realizado
  O fato da Lazio se classificar para a Champions League era um sonho que o jogador realizava. Enfrentar os melhores jogadores do mundo era a sua chance de demonstrar sua qualidade e, quem sabe, se transferir para um time ainda maior da Europa. Mas, o resultado não foi o esperado. ‘‘Nosso time não estava preparado para disputar a Champions e o Campeonato Italiano ao mesmo tempo’’.
  A Lazio não passou da primeira fase da competição européia e foi muito mal no Italiano – terminou em 12º – e ficou fora, inclusive, da Copa da Uefa. ‘‘O ponto positivo foi ter jogado contra o Real Madrid e seus grandes campeões. Foi uma experiência incrível. Meu pai (Moacir) estava em Madri assistindo nosso jogo. Ele é torcedor do Santos e pôde ver o Robinho (atacante revelado pelo clube santista)’’, observou Cribari.
  Segundo ele, o elenco pouco numeroso obrigou os titulares a jogar uma quantidade elevada de vezes e isso foi decisivo para o pífio desempenho – somente na Copa da Itália, o time romano teve melhor aproveitamento, mas caiu na semifinal frente a Inter de Milão. ‘‘Eu joguei 46 jogos na temporada. No ano anterior haviam sido 24 jogos. A sobrecarga prejudicou a todos.’’
  A expectativa do zagueiro é por uma temporada 2008/2009 mais vitoriosa. A diretoria do clube prometeu contratar reforços. Muitos devem ser sul-americanos, como o goleiro argentino Carrizo, contratado junto ao River Plate, da Argentina. Outro ‘‘hermano’’ que pode reforçar a Lazio é o atacante Palacio, do Boca Juniors e da seleção nacional. Os laziales também estão interessados em brasileiros, como o zagueiro Thiago Silva e o meia Thiago Neves, ambos do Fluminense. ‘‘Queremos voltar a disputar a Champions.’’
  Mesmo com projetos ambiciosos com a camisa da Lazio, Cribari não descarta defender outro clube. Ele recebeu algumas sondagens no final da temporada italiana. O São Paulo chegou a entrar em contato com seu procurador. Além disso, segundo a imprensa da Itália, Fiorentina e Sampdoria estariam de olho no brasileiro.
  ‘‘Considero a Lazio um time de médio porte na Europa. Tenho o objetivo de crescer e chegar à seleção brasileira. Por isso, não descarto, realmente, me transferir (para outro time) no futuro’’, concluiu.

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