Londrinense de 15 anos é destaque no Porto
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Falar que está cheio de londrinense ou atletas criados por aqui atuando por grandes clubes da Europa já virou clichê. Naldo no Werder Bremen, Rafinha no Schalke 04, Fernandinho e Jadson no Shaktar, Cribari na Lazio, Brandão no Olympique de Marselhe e por aí vai. Agora, um deles certamente pouca gente sabe que está por lá. Eduardo Corrêa da Silva Júnior, meia-atacante, criado na Zona Norte de Londrina caminha para seguir os passos dos conterrâneos. Aos 15 anos, ele já atua no Porto, de Portugal.
O caminho que levou o garoto do Campo do Panela, no Conjunto Parigot de Souza, em Londrina, onde deu os primeiros chutes na bola, para o Estádio do Dragão, em Porto, não foi simples. Muito menos habitual. Pode-se dizer que o acaso fez com que Eduardo Júnior, ou só Edu, estampasse seu nome na camisa de número 11 do Porto.
Edu começou a jogar com 5 anos. Dividia seu tempo entre a escolinha do Panela e o futsal do Grêmio Londrinense. Passou por outras equipes de Londrina, sempre jogando as duas modalidades, até que seus pais foram tentar a sorte em Portugal, em 2005. Uma tia do garoto já morava por lá e os pais dele foram buscar uma vida melhor.
Se instalaram na pequena Pontinha, no norte do país. Lá, passou pelo time de futsal do Silveirense e depois foi defender o Clube Atlético Cultural da Pontinha. ''Quando fui para Portugal, continuei a jogar com a mesma alegria de sempre, só por diversão. Não desisti'', disse o garoto.
Um massagista do Pontinha o levou para fazer testes no Porto. Os gols e a habilidade de Edu, porém, ecoaram em Portugal a ponto de os outros dois grandes clubes lusos entrarem na disputa pelo jovem jogador. Benfica, Sporting e Porto queriam o meia-atacante, que escolheu o clube do Estádio do Dragão.
O garoto deixou a família em Lisboa, onde o pai trabalha com instalação de gás e a mãe é doméstica, e partiu para Porto. ''Eles ficaram por dois anos de forma ilegal em Portugal'', disse. Os pais tiveram que voltar ao Brasil para regularizem a situação, uma exigência do clube.
Edu já está há três anos no Porto e renovou contrato por mais um. Aos poucos, vai realizando o sonho de ser um jogador de futebol. ''Todo o meu esforço, finalmente, está sendo reconhecido. Meus amigos sempre acreditaram no meu potencial e eu consegui chegar aqui'', afirmou o brasileiro que é o único estrangeiro do clube em sua categoria. ''Se for bater na porta dos clubes você não consegue nada. Tem que arrebentar em um time pequeno e esperar que alguém venha atrás'', receitou.
O brasileiro tem contato com o time profissional diariamente e tenta aprender com quem já é ídolo em Portugal. ''O Hélton (goleiro brasileiro) é o mais gente boa. Mas tem os outros brasileiros, o Hulk, o Fernando. Tem alguns profissionais que ninguém gosta, mas tem um pessoal muito gente boa, como os argentinos. Procuro me espelhar no Hulk (atacante brasileiro). Ele não era ninguém, saiu da segunda divisão do Japão e hoje é quem é'', afirmou o articulado garoto que usa um par de brincos brilhantes em formato da letra E. ''Um 'E' é do meu nome e o outro é do nome do meu pai'', disse.
Por ser brasileiro, Edu conta que é mais exigido, mas não se importa com isso. ''Sinto uma certa responsabilidade, mas isso me dá prazer. Meu treinador me cobra muito por ser brasileiro e isso me faz crescer'', comentou. O que coloca medo no meia-atacante é a falta de contato com o futebol brasileiro. ''Temo perder a 'brasilidade' no futebol e, por isso, venho ao Brasil para treinar quando posso'', afirmou.
Apesar dos 15 anos apenas, Edu já não esconde o sonho de defender a seleção brasileira. ''Não penso em seleção portuguesa, não. Quero defender o Brasil. Sempre tive o sonho de ir para a seleção brasileira e, se Deus quiser, estarei na Copa em 2014'', disse. ''Porém, o desafio maior é chegar ao time profissional do Porto''.
Enquanto essa hora não chega, Edu segue trabalhando. Enfrenta a saudade dos amigos, do calor, da alegria do Brasil. ''Portugal é muito parado'', reclamou.


