Londrinense comemora títulos no futsal italiano
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de agosto de 2014
Rafael Souza<br> Reportagem Local 
Já há alguns anos, Londrina se notabiliza na exportação de craques para o futsal italiano. Da cidade saíram apostas que se tornaram grandes protagonistas do esporte da bola pesada na 'Velha Bota', como o ala Marcinho Forte, que passou mais de dez anos por lá e ganhou notoriedade e respeito dos italianos ao tornar-se capitão da Azzurra.
E no meio de tantos craques homens, uma mulher vem mostrando aos italianos que Londrina também forma craques de saia. Ela é Fernanda Borzuk, ou simplesmente Naná, apelido da pivô de 29 anos. Na temporada 2013/2014, a londrinense foi um dos pilares do Lazio, time que mais investiu e que faturou os dois títulos mais importantes da temporada, o Campeonato Italiano e a Copa da Itália.
"Foi uma temporada inesquecível, que vai ficar marcada para sempre na minha carreira. Não poderia ter sido melhor. Ao lado de 2006, quando fui campeã da Liga (Nacional) com o Londrina, e fui convocada para a seleção brasileira, são as duas mais marcantes", elege a londrinense, que ainda atingiu a excelente marca de 34 gols marcados na Liga Italiana. E poderia ter sido ainda melhor. "Logo nos primeiros jogos, sofri uma pancada e machuquei o joelho. Perdi uns sete jogos. Foi o que me atrapalhou, acho que dava para pegar mais uns gols aí", brincou a pivô, que foi a quarta jogadora que mais balançou as redes na temporada.
Na Itália, Naná realiza um sonho de criança, alimentado desde os primeiros passos como jogadora, aos 12 anos, quando jogava com meninos da sua idade na Associação dos Funcionários Municipais de Londrina (AFML). "Eu via os garotos que jogaram comigo saindo daqui para ir jogar lá e eu queria ir também. O tempo foi passando, achei que já nem ia conseguir mais, até que pintou a primeira oportunidade", diz a jogadora do Lazio.
Sua primeira experiência fora do Brasil foi em 2012, no Real Murcia, da Espanha. Mas durou apenas cinco meses. Mais madura, voltou para Europa em 2013, e para ficar. A adaptação foi facilitada pelas companheiras brasileiras que já estavam por lá, as alas Cely e Lu, ambas da seleção brasileira e já eleitas melhores jogadoras do mundo de futsal. "Eu sabia como elas jogavam e elas também já me conheciam. Isso facilitou bastante, me ajudaram muito", revela a londrinense, que no Brasil também já jogou por Chapecó, Guarapuava, Criciúma e Fortaleza.
Prestes a completar 30 anos, Naná ainda nem cogita voltar a jogar no Brasil. Nem mesmo a crise financeira que atinge a Europa a faz pensar em deixar a Itália. Segundo ela, os times femininos vão na contramão da recessão, o que ainda atrai muitos estrangeiros. "Estou sabendo que já tem mais três brasileiras indo para lá na próxima temporada. Eles estão investindo mais que o masculino. Tem jogadora que vai para ganhar R$ 50 mil por ano. É um bom dinheiro", conta a atleta, que já conseguiu dar entrada num apartamento e ajudar a família. "Jogando aqui (Brasil), não tinha condições de fazer isso".
De férias em Londrina, Naná aproveita para curtir a família, mas já deixou tudo certo para voltar. Ela já tem um acerto com o Montesilvano, também da primeira divisão italiana. Mas a estreia pela nova equipe ainda vai demorar um pouco. Mais precisamente nove meses. É que a camisa 11 do Lazio espera seu primeiro filho, fruto do casamento com o treinador Massimiliano Bellarte, que comanda o time masculino Acqua Sapone.
Por enquanto, a cabeça está voltada para o filho, mas a artilheira já pensa no próximo objetivo na quadra. No novo clube, a jogadora sonha trilhar o mesmo caminho de Marcinho Forte, campeão europeu e eleito um dos cinco melhores do mundo com a camisa do Montesilvano. "Ele ganhou tudo lá, uma trajetória muito bonita. Se conseguir igual ele já está bom, pois até hoje ele é um dos brasileiros mais respeitados do futsal italiano".


