O árbitro londrinense Héber Roberto Lopes, 32 anos, embarca no próximo dia 7 para Bogotá, na Colômbia, onde apitará o Campeonato Sul-Americano Sub-20, que será disputado de 9 de janeiro a 6 de fevereiro, nas cidades colombianas de Manizales, Perera e Armenia. O outro representante da arbitragem brasileira na competição será o auxiliar Altemir Haussmman, do Rio Grande do Sul.
Lopes está muito feliz com a convocação e espera fazer um bom trabalho e ganhar espaço na arbitragem internacional já pensando no futuro. ''A Copa de 2010 é meu objetivo, mas não deixo de batalhar para ir em 2006'', revela Lopes.
Para isso, ele já superou algumas etapas na carreira do árbitro. Em 2003, foi o representante brasileiro no Sul-Americano Sub-17, realizado na Bolívia, e o Mundial da categoria, na Finlândia. ''Para apitar na Copa, é preciso ter algum Mundial no currículo e em 2003 eu tive o privilégio de apitar o Sub-17'', explica.
Ao chegar à capital colombiana, o árbitro passará por uma bateria de testes físicos, junto com os representantes dos outros países. Quem for reprovado volta para casa mais cedo. Ele ainda não sabe qual será o primeiro jogo que comandará, mas espera apitar os jogos mais difíceis. ''Já tenho noção do que é representar o Brasil em competições internacionais. Pelo fato de ser brasileiro, a cobrança é bem maior, porque somos pentacampeões mundiais e temos um campeonato difícil. Os jogos difíceis sempre caem com brasileiros ou argentinos'', prevê Lopes.
Ele, no entanto, sabe que deve apitar somente a primeira fase da competição. Como o Brasil deve se classificar às fases seguintes, o representante brasileiro automaticamente deixa de apitar, assim como os árbitros dos outros países que se classificarem, independente da qualidade do árbitro. Mesmo assim, Lopes garante torcer pelo sucesso da seleção brasileira. ''Torço a favor mesmo. Lógico que a intenção de todo árbitro é apitar a final, mas se o seu país é o vencedor, você também sai valorizado'', afirma.
O árbitro acredita que a boa temporada 2004 o credenciou para a competição. Além do Campeoanto Brasileiro, Lopes comandou cinco partidas da Copa Libertadores da América, com destaque para River Plate x Tolima, cinco da Copa Sul-Americana, as finais da Série B do Campeonato Brasileiro e ainda foi o quarto árbitro de quatro jogos das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2006.
Carreira O ex-bancário, que trocou os caixas pelos campos de futebol, teve uma carreria meteórica. Ele começou a apitar jogos oficiais pela Federação Paranaense de Futebol (FPF) em 1995 e dois anos depois já estava no quadro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Em 2001 apitou alguns jogos do Brasileirão, mas foi na edição de 2002 que se destacou. Foi o árbitro revelação da competição e a única rodada em que não apitou foram os dois jogos da final entre Corinthians e Santos. Com o bom trabalho, chegou ao quadro da Fifa, onde pode apitar por mais 13 anos.
A carreira, que começou muito bem, quase foi por água abaixo no ano passado por causa de dois episódios. Primeiro, depois de uma confusão com o meia-atacante Marcelinho Carioca, Lopes foi suspenso pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da CBF por 30 dias. Cumprida a punição, ele voltou a apitar, mas não como antes. Depois de um jogo entre Inter e Vasco no qual cometeu alguns erros, ele foi afastado pela Comissão de Arbitragem da CBF por mais 30 dias por deficiência técnica.
''Tudo aconteceu num momento legal. Foi uma lição para mim, tanto que em 2004 não tive nenhum problema mais grave, a não ser alguns erros que acontecem'', comentou.
Formado em educação física, ele já pensa na vida depois que largar o apito. Entre uma viagem e outra, Lopes cursa o terceiro período do curso de jornalismo. No futuro, quer ser comentarista esportivo.

mockup