Londrina vive dificuldade para contratar e Micale lamenta
Reforços acertados com o clube são de equipes eliminadas na primeira fase da Série C, como Guarani e Volta Redonda
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de setembro de 2026
Reforços acertados com o clube são de equipes eliminadas na primeira fase da Série C, como Guarani e Volta Redonda

O técnico Rogério Micale foi direto ao comentar as movimentações do Londrina no mercado de transferências para a reta final da Série B do Campeonato Brasileiro. O treinador admitiu que o clube enfrenta dificuldades para reforçar o elenco e apontou dois fatores principais, que são o momento da equipe, que está na zona de rebaixamento, e a limitação financeira diante de concorrentes que têm maior poder de investimento.
Segundo Micale, a situação do Londrina também pesa na decisão dos próprios jogadores. Em negociações por empréstimos, por exemplo, o clube de origem pode aceitar a transferência, mas o atleta não demonstra interesse em atuar por uma equipe que luta contra o rebaixamento.
“Eu queria muitas coisas, mas tenho que trabalhar e focar naquilo que tenho em mãos. Estamos de olho e tentando buscar jogadores, inclusive na Série C. Só que também não está dando. Tem clube que oferece muito mais do que a gente pode e acaba levando os jogadores. Estou sendo franco e aberto com vocês. Então, estou trabalhando com aquilo que tenho em mãos, melhorando e tentando ser competitivo”, afirmou.
A declaração ocorreu após o empate por 0 a 0 com o Juventude, na terça-feira (1º), no VGD. Apesar de enfrentar o líder da Série B, o Londrina teve uma atuação defensiva consistente e sofreu poucas oportunidades. O desempenho também chamou atenção pelas mudanças promovidas por Micale na escalação.
Diante dos desfalques, o treinador voltou a utilizar o sistema com três zagueiros. A formação havia sido elogiada em outro momento da competição, mas acabou sendo deixada de lado ao longo da Série B. Contra o Juventude, jogadores que vinham tendo menos espaço tiveram boa atuação, casos do zagueiro Caio, do experiente Wallace e do volante Guilherme Portuga.
Wallace, inclusive, havia perdido espaço na equipe, apesar de ser o capitão desde 2025. Já Portuga, contratado após se destacar pela Portuguesa, vinha sendo utilizado principalmente no segundo tempo. Recentemente, Micale havia explicado que preferia colocá-lo em campo quando o Londrina estivesse empatando ou precisando buscar o resultado.
Três zagueiros podem ser mantidos
Para o duelo com o Operário, domingo (6), às 11h, no VGD, pela 26ª rodada da Série B, Micale admitiu a possibilidade de manter o sistema com três zagueiros.
“É possível. O Wallace já tinha feito esse trabalho para mim contra o Botafogo de Ribeirão. Foi um dos nossos melhores jogos em termos de volume. Ele faz muito bem essa leitura, esse papel híbrido. Estamos vendo jogo a jogo”, explicou ele ao citar o jogo contra o time paulista, que foi disputado no dia 17 de julho, há quase dois meses. Desde então, não houve mais a tentativa de uma formação com três zagueiros. O LEC não venceu um jogo sequer no período.
O treinador também destacou que a escolha da formação leva em consideração as características do adversário. Contra o Juventude, por exemplo, a opção por uma defesa mais alta e forte fisicamente teve relação com o estilo de jogo da equipe gaúcha.
Micale citou ainda a necessidade de corrigir problemas apresentados em partidas anteriores, especialmente nas bolas aéreas. Para ele, o objetivo é estabelecer uma estrutura de jogo que permita ao Londrina fazer ajustes de acordo com cada adversário.
“A equipe está começando a ter maturidade. Pela reconstrução que foi feita, precisamos encaixar de acordo com o adversário e também encontrar o melhor jogo para a nossa equipe”, afirmou.
“Encaixe melhor”
Micale avaliou que a formação com três zagueiros proporcionou ao Londrina um encaixe melhor diante do Juventude. Segundo o treinador, a equipe conseguiu ser competitiva durante toda a partida, mesmo sem voltar a vencer na Série B. O empate com o líder ampliou para nove jogos o jejum do Tubarão na competição.
“Eu gostei porque fomos competitivos. É lógico que sempre buscamos os três pontos, mas não estávamos enfrentando qualquer time. Era o líder da competição. O Juventude tem uma bola lateral muito forte e também um contra-ataque perigoso, então precisávamos ter muito equilíbrio”, explicou.
O treinador também destacou a evolução da equipe em um aspecto que vinha sendo motivo de preocupação, que foi a pressão sobre o adversário. Para Micale, o Londrina conseguiu melhorar o momento de avançar a marcação e reduziu os espaços que poderiam ser explorados pelo time gaúcho.
“A gente não poderia saltar à toa, de qualquer jeito, porque eles sabem encontrar as bolas por dentro. Acho que também melhoramos nesse comportamento, que era algo em que estávamos pecando muito. Com essa configuração, a equipe teve um encaixe melhor”, afirmou.


Matheus Camargo
Repórter de Esportes, com foco no Londrina Esporte Clube.


