Jefferson Willian de Andrade da Silva Antonio: paulistano, 19 anos, 2,07m, tímido, sincero e promissor. O versátil ala da Unopar/Londrina/Aguativa recebeu ontem a notícia que pode começar a mudar sua vida. Está entre os 29 convocados para a seleção brasileira adulta que disputa neste ano o Torneio Pré-Olímpico, em Porto Rico, de 20 a 31 agosto.
Jé, como é amigavelmente chamado por seus companheiros de equipe, será submetido a exames físicos e médicos no final de março, em São Paulo. No início de junho, o técnico Lula Ferreira, que substitui o demitido Hélio Rubens, entregará a lista definitiva para a primeira competição oficial da temporada, o 40º Campeonato Sul-Americano, no Uruguai.
''Vou continuar a jogar e treinar muito forte para mostrar o que eu tenho de melhor. Se o Lula me convocou agora é porque viu qualidade no meu jogo. Ele assumiu com a filosofia de promover uma nova geração no basquete brasileiro e tenho muita esperança quanto ao meu futuro na seleção. Vou lutar para estar entre os 12 convocados'', mentalizou Jefferson, que passou a última temporada na West College Arizona, universidade da cidade de Yuma, duas horas de viagem da capital Phoenix.
Jefferson, que nasceu na Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo, começou a jogar basquete na escolinha do Clube de Regatas Tietê. ''Tinha que pegar um ônibus e um metrô para treinar. Como também estudava no clube (fazia o colegial), saía de casa às 6 da manhã e só voltava tarde da noite'', recorda. Em 1999, então com 16 anos, foi jogar na Hebraica. Disputou o Paulista dois anos e em 2001 participou de seu primeiro Campeonato Nacional. ''Joguei a liga com o Zé Medalha. Ele gostou muito do meu estilo e me ajudou a conseguir uma vaga na universidade americana'', lembra.
Em Yuma, além de treinar, Jé trabalhava na cafeteria do colégio para ajudar a pagar as despesas. Ganhava em média, livre de gorjetas, US$ 200,00 mensais. ''Eu queria continuar, mas tive de voltar para ajudar minha família.'' Filho de pais separados, ele ajuda no sustento de mais dois irmãos.
Lula conhece muito bem as qualidades de Jefferson. Foi seu técnico no Campeonato Sul-Americano Juvenil, em Bogotá, na Colômbia, em 2000, quando aquela equipe, que já contava com o promissor ala/pivô Nenê (hoje na NBA), perdeu para a Argentina na decisão. ''Ele conhece o meu trabalho e me ajudou muito. Ainda sou jovem e acho que tenho muito a oferecer'', disse.
Antes de sonhar com novas convocações, Jefferson tem a ambição de conquistar definitivamente a confiança no técnico Ênio Vecchi. Ainda é reserva e vem oscilando boas e más atuações. Doutrinado no basquete norte-americano, marcado pelo forte jogo defensivo, o ala encontra dificuldades em se adaptar à rigorosidade da arbitragem nacional. ''Ando fazendo muitas faltas. Mas estou me adaptando rápido. O objetivo de todo jogador é ser titular e estou lutando muito para isso. Gosto de trabalhar com o Ênio'', disse.

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