Lívio e Jorjão no Memorial do LEC: time começou desacreditado e embalou após vitória sobre o Criciúma
Lívio e Jorjão no Memorial do LEC: time começou desacreditado e embalou após vitória sobre o Criciúma | Foto: Anderson Coelho



O Londrina entrou para o mapa do futebol do Brasil com a assombrosa campanha de quarto lugar no Campeonato Brasileiro de 1977, mas o primeiro título nacional viria apenas três anos depois. Há exatos 38 anos, o LEC goleava o CSA – mesmo adversário deste sábado (19) pela Série B – e se tornava o primeiro clube paranaense a conquistar o País. O título da Taça de Prata de 1980 transformou aquele time do Londrina no Tubarão de Ouro.

Como em muitas conquistas ao longo dos seus 62 anos, o Alviceleste começou a competição com um certo descrédito e o time sofreu nos primeiros jogos até embalar rumo ao título. A qualidade do time era uma mescla de atletas que haviam vindo de grandes clubes e de outros que, após a conquista, sairiam daqui para brilhar em outros campos do País. Nomes como Arenghi, Vanderlei Paiva, Nivaldo, Lívio, Everton, Zé Dias e Paulinho são figurinhas carimbadas na memória do torcedor londrinense.

A Taça de Prata foi a primeira edição do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão e contou com a participação de 64 clubes. O LEC deixou adversários tradicionais pelo caminho, como Atlético Paranaense, Criciúma, Juventude, Chapecoense e Juventus. Foram 15 jogos, com 11 vitórias, dois empates e duas derrotas.

"Chegamos para jogar com o Criciúma na terceira rodada com o Jair (Bala, treinador) com a cabeça a prêmio em razão de não termos ganho nos jogos anteriores. Ganhamos por 2 a 1 lá em Santa Catarina e aí embalamos até o título", relembra o ex-goleiro Jorjão. A partir dali, o Londrina perdeu apenas mais um jogo – 4 a 1 para o Juventus – e não tomou conhecimento de mais nenhum adversário.

Comandante
Falando em Jair Bala, o treinador foi um fator crucial para a conquista histórica. Entre os campeões de 1980, todos elogiam o comandante. "Ele era aquele treinador boleiro e nos tratava assim. Quando ele ia ensaiar uma jogada, ele mostrava em campo como era para fazer. A forma como ele dominava a bola e finalizava era algo formidável", recorda o ex-meia Lívio, que chegou emprestado pelo Cruzeiro no início daquele ano. "Ele jogava baralho com a gente e até xingava na hora do carteado. Tínhamos esta liberdade, mas todos o respeitavam. O Jair era como um irmão para nós."

Jorjão destaca também a diretoria ativa e participativa que o Londrina tinha na época – Durval Dias Ribeiro era o presidente – e a união do elenco. "A gente lavava a roupa suja em casa. Éramos amigos de verdade, uma família mesmo", afirma.

Imagens de 18 de maio de 1980: goleada sobre os alagoanos foi acompanhada por quase 37 mil torcedores
Imagens de 18 de maio de 1980: goleada sobre os alagoanos foi acompanhada por quase 37 mil torcedores | Foto: Fotos: Arquivo Folha



Após uma campanha irrepreensível na primeira fase, o Tubarão chegou à semifinal para encarar o Botafogo (SP) e venceu os dois jogos. Em Ribeirão Preto, 2 a 1, e no Café, 1 a 0. A decisão começou no dia 11 de maio, em Maceió. Empate em 1 a 1, com gols de Dentinho para os donos da casa e Paulinho, o "Canhão de Pinhal", para o Alviceleste.
"Fizemos um bom jogo em Alagoas e a nossa motivação era muito grande por estarmos na final. Sabíamos que aquele título seria a consagração de todo o grupo", aponta o ex-atacante Zé Dias, que ainda seria campeão paranaense no ano seguinte.

Uma semana depois, o estádio do Café recebeu 36.489 pagantes para a goleada de 4 a 0, que começou com o gol de Zé Antônio. Lívio aumentou ainda no primeiro tempo. "Foi uma jogada ensaiada. O Jair pedia para jogarmos a bola no Zé Dias, que era muito veloz. E o cruzamento do Zé vinha sempre pelo chão no primeiro pau ou por cima, na segunda trave. Eu consegui acompanhá-lo, fui no primeiro pau e aí só empurrei para o gol", conta o ex-meia.

Invasão
Confirmando a fama de artilheiro, Paulinho marcou os outros dois gols no segundo tempo e transformou o Café em uma grande festa. A torcida invadiu o gramado e o árbitro José Roberto Wright encerrou a partida três minutos antes do tempo normal.

"Quando vi aquela invasão, até achei que poderia dar algum problema para o Londrina. Conhecia o zagueiro do CSA e ele me abraçou com medo de acontecer algo. Tive que levá-lo até o vestiário", relata Lívio. "Em nenhum momento foi um jogo fácil, muito pelo contrário. É que nossa equipe mostrou muita qualidade", recorda o ex-goleiro alviceleste.

Quase quatro décadas depois, o desejo de ganhar novamente a Segunda Divisão é o que move o Londrina, os seus dirigentes e a sua torcida. Que o exemplo e o sucesso desta geração vitoriosa inspirem o elenco atual para brilhar também na Série B desta temporada. "O que jogador tem que ter em mente é que a hora em que ele entra no Café ele tem que dar tudo de si. O jogo é a hora da festa e ele tem que se dedicar ao máximo", ensina Zé Dias.

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