Londrina propõe saldar dívidas com imóveis da família Vitorelli
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de janeiro de 1999
Nelson Cilo 
Depois de três reuniões consecutivas, o Londrina e o empresário Alessandro Vitorelli não fecharam a parceria prevista anteriormente, mas encontraram uma saída que - acreditam os dirigentes - pode pôr fim às dívidas do clube. O Londrina decidiu comprar os terrenos da imobiliária de Vitorelli e pagá-los no prazo mínimo de cinco anos.
Se os credores concordarem em receber imóveis como pagamento, o acordo estará fechado nos próximos dois meses. É o tempo que o presidente do Conselho Deliberativo, Antonio Amaral, pediu para consultar aqueles que tem dívidas pendentes. Amaral, o vice de futebol Célio Guergoletto e o diretor Agostinho Garrote participaram das negociações, que começaram na segunda-feira. De lá para cá, por exigência de Vitorelli, o clube gastou o tempo levantando o total de dívidas do Londrina, que somam R$ 1.972.218,11. Garrote e o gerente-administrativo Paulinho Chaves levantaram os números em três dias.
Anteontem à noite, no escritório de Vitorelli, tudo parecia tomar um rumo mais concreto, depois que o Londrina apresentou o relatório detalhado dos débitos. A reunião durou cinco horas e só terminou no início da madrugada. Vitorelli impunha uma condição para assumir os quase R$ 2 milhões: aos credores, a imobiliária da família dele daria terrenos, situados em um loteamento de 20 alqueires, entre Cambé e Londrina, para quitar as pendências, especialmente as ações trabalhistas, que totalizam R$ 888.759,87.
Em troca, Vitorelli passaria a explorar a marca Londrina pelo prazo de 20 anos. Só faltava um detalhe para o arremate: que o candidato a sócio-majoritário bancasse os R$ 60 mil mensais previstos para a montagem do time que participará da Série A-2 do Campeonato Paranaense. Vitorelli recusou. Só queria comprar as dívidas e esperar retorno das categorias de base, ainda investindo em outros lances de marketing.
Sem que Vitorelli assegurasse a indispensável retaguarda ao futebol profissional, Amaral entendeu que não seria comercialmente interessante deixar o clube durante tanto tempo nas mãos do empresário. Na rápida reunião de ontem à tarde, na sede administrativa do clube, no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), Amaral propôs então que a imobiliária vendesse ao Londrina uma parte dos 1.500 lotes, avaliados entre R$ 6 mil e R$ 8 mil cada. Ou seja: em vez de conseguir um patrocinador, o clube colocou-se como potencial comprador dos imóveis de Vitorelli, que gostou da alternativa sugerida. Mesmo assim, o negócio só estará concluído se os credores quiserem receber os terrenos.
Amaral reconhece que, na prática, haveria uma transferência de dívidas, que estariam centralizadas em uma única pessoa, evitando, segundo ele, os rotineiros transtornos judiciais que tiraram a credibilidade do Londrina.
Agora, a preocupação é buscar 10 sócios-cotistas, que queiram gastar até R$ 5 mil mensais cada um, para o clube formar o time da Série A-2. Nos próximos 10 dias, Guergoletto fará uma caçada aos possíveis investidores. O dirigente disse que confia na influência política de Antonio Belinati para atrair parceiros fiéis, mas manda um recado ao prefeito: Não queremos mais dinheiro público.
Guergoletto voltou ontem para Camboriú (SC) e, de lá, manterá frequentes contatos telefônicos na tentativa de encontrar o número suficiente de cotistas. Em oito dias, ele pretende entregar o orçamento delineado ao novo diretor de futebol, Dorival Pagani, que terá a responsabilidade de contratar os reforços.


