Londrina prega cautela em 2026, mas sem deixar de comemorar 2025

Tubarão está de volta à Série B, mas antes pensa no Paranaense e na Copa do Brasil

Publicado quarta-feira, 24 de dezembro de 2025 | Autor: Matheus Camargo às 06:00 h

O ano do Londrina foi positivo, mesmo que tenha sido mais um sem taças levantadas. Os dois principais objetivos alvicelestes para o ano foram a vaga de volta à Copa do Brasil e o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro, ambos conquistados passo a passo, sem grandes sustos.

A temporada do Tubarão pode se resumir a isso: um time que passou confiança ao torcedor e que sempre mostrou que os objetivos estavam próximos de serem alcançados. No Campeonato Paranaense, bastava ser um dos semifinalistas, e isso foi conquistado sem que o time precisasse “suar sangue”, como é dito no jargão do futebol.

Na primeira fase do Estadual, o LEC jamais deixou o G4, posição que daria o direito de decidir a vaga em casa contra o adversário das quartas de final. O Tubarão então enfrentou o Cianorte, venceu a ida por 2 a 0 no Albino Turbay, e repetiu a vitória pelo mesmo placar no estádio do Café. O 4 a 0 no agregado levou o LEC de volta à Copa do Brasil.

No Campeonato Brasileiro da Série C, o trabalho feito, passo a passo, foi praticamente idêntico. O Tubarão ficou a maior parte da competição entre os quatro primeiros, mesmo que a classificação viesse já com o G8. Porém, o clube nunca abriu mão de ficar entre os quatro primeiros colocados, já que assim poderia fazer um possível jogo do acesso dentro de seus domínios no quadrangular final: dito e feito.

O LEC caiu no grupo do quadrangular com a oportunidade de fazer a última partida como mandante, e de forma que parecia até mesmo friamente calculada, mais uma vez jamais deixou a zona de classificação à Série B. Mesmo com a série de empates no Vitorino Gonçalves Dias (VGD), não perdia posição, até vencer duas vezes fora de casa no quadrangular, ao bater Caxias e Floresta, e justamente com um empate no VGD, diante do São Bernardo, em jogo que poderia até perder, tamanha a tranquilidade da reta final da equipe, conseguiu o acesso de volta à Série B após dois anos de ausência.

Leia mais:

“Conquistamos os objetivos do ano. Óbvio que a gente queria o título, mas a gente não pode ser ingrato. Tivemos um ano com todas as metas desportivas cumpridas”, disse o executivo de futebol, Lucas Magalhães, após o fim da Série C.

Faltou o passo além

Se os dois objetivos do ano foram conquistados de forma calculada pelo clube, o que deixou a torcida em êxtase, faltou o passo além, o título, a coroa, ou a “cereja do bolo”. E isso ocorreu tanto no Campeonato Paranaense, quanto na Série C.

No Estadual, o time enfrentou o Operário na semifinal, venceu a ida em Ponta Grossa por 1 a 0, mas na volta, em pleno estádio do Café, perdeu por 2 a 1. Nos pênaltis, com vários garotos em campo, sucumbiu e viu o time dos Campos Gerais vencer e ficar com a vaga na decisão, posteriormente sendo campeão diante do Maringá.

Na Série C, o mundo do futebol se desenhou da mesma forma, agora na final contra a Ponte Preta, onde o Londrina chegou após terminar seu grupo do quadrangular como líder isolado. O time, mais uma vez, não teve força para o passo além. Empatou a ida, no VGD, por 0 a 0, e na volta, no Moisés Lucarelli, mesmo após segurar um empate na etapa inicial, tomou dois gols no segundo tempo e viu a Macaca se sagrar campeã nacional pela primeira vez.

Gol de Manzoli contra o São Bernardo confirmou principal objetivo do Londrina em 2025: o acesso à Série B
Gol de Manzoli contra o São Bernardo confirmou principal objetivo do Londrina em 2025: o acesso à Série B | Foto: Rafael Martins / Londrina EC

E para 2026?

O próximo ano do Londrina tem objetivos sólidos e definidos pela diretoria do clube: voltar à semifinal do Campeonato Paranaense, o que mais uma vez daria a vaga na Copa do Brasil no próximo ano, e conseguir a permanência na Série B do Campeonato Brasileiro, sem correr grandes riscos.

Para isso, o Londrina vai contar com um orçamento maior do que teve nos dois primeiros anos da SAF, comandada pela Squadra Sports, empresa de Guilherme Bellintani. Em 2024 e 2025, o valor ficou entre R$ 12 milhões e R$ 13 milhões. Para o próximo ano, entretanto, será entre R$ 27 milhões e R$ 28 milhões. O LEC vai ultrapassar a folha mensal de R$ 1 milhão, alta historicamente para o clube, mas baixa em relação ao que se pratica atualmente na Série B, o que gera alguma preocupação.

“O mercado brasileiro ficou muito mais caro. Mas o mesmo jogador que ganhava R$ 100 mil por mês agora está ganhando o dobro ou o triplo. É o mesmo jogador. O futebol dele não qualificou, necessariamente”, admitiu Bellintani.

Leia mais:

Além de atingir os objetivos, o LEC busca o passo além na temporada, e isso pode ser conquistado nos jogos de mata-mata da Copa do Brasil, em que o Tubarão ainda não sabe quem será o adversário de estreia. O próprio Guilherme Bellintani definiu que quer o LEC avançando o maior número de fases possível no torneio nacional, contando com a rentabilidade financeira da competição, mas também dando cancha no principal torneio de mata-mata do país.

Além disso, o passo além pode ser dado no próprio Campeonato Paranaense, em que o clube pretende brigar nas primeiras posições desde o início.

Entretanto, o foco não deixa de ser a Série B em momento algum e o clube quer se firmar no segundo escalão do futebol nacional pelos próximos três anos, mesmo que segundo o próprio Belllintani, se uma campanha surpreendente vier, “um acesso ninguém nega”, garantiu ele em entrevista recente.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS| Acompanhe as notícias de Londrina e região no canal da Folha de Londrina no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029Va8N2DN84Om5Akznga0h

“O Londrina tem que ter jogadores que queiram estar aqui. Isso faz toda a diferença para o nosso trabalho, para construção, para o modelo, para fazer um grande Paranaense, avançar na Copa do Brasil. Estou feliz por eles, é um começo de trabalho”, disse Roger Silva, que participou da construção do elenco para o próximo ano, mas que resolveu deixar o clube na reta final da pré-temporada para assumir o Sport Recife, que será rival do LEC na Série B.

Imagem ilustrativa da imagem Londrina prega cautela em 2026, mas sem deixar de comemorar 2025
| Foto: Rafael Martins / LEC

CT, VGD e patrocínios

O Londrina vai começar o ano de 2026 ainda sem seu centro de treinamentos próprio. A obra, que começaria em outubro e teria o início da entrega entre março e abril, teve alguns atrasos por conta de trâmites burocráticos e agora só deve ter início em janeiro. A ideia é que os dois primeiros campos, que serão realizados para treinos, fiquem prontos até junho. Assim, o LEC poderia parar de usar o VGD como campo para treinamentos, dando descanso ao gramado que o time utiliza para jogos. O investimento será feito em três partes e a ideia é que a primeira parte seja encerrada por completo até o fim de 2026. Todas as partes do projeto podem ser encerradas até 2029.

Outro ponto em questão para a próxima temporada é o VGD. O estádio será a casa do Londrina na Série B e passa por uma troca completa no gramado para ter um piso melhor, já que na reta final o gramado foi alvo de críticas da comissão técnica e de jogadores, tanto adversários, quanto do próprio Tubarão. Até por isso, o time tem treinado e vai iniciar o Campeonato Paranaense no estádio do Café. A ideia é que o VGD seja utilizado para treinos até que ao menos o primeiro campo do CT seja entregue, mas há também a possibilidade de o LEC treinar em campos alternativos da cidade.

Por fim, um ponto de foco importante da diretoria do Londrina para 2026 é a busca por patrocínios locais. Bellintani deixou claro que o clube vai ter o tamanho que a cidade quiser, e isso passa pelo apoio ou não de empresas locais. Em 2025, empresas do ramo de academias, de assessoria financeira, cadeados, alimentação e supermercado estiveram estampadas na camisa do clube na temporada.

Porém, a diretoria admite que para a Série B a ideia é dar “um passo a mais” na questão financeira, pelos custos maiores que envolvem a segunda divisão nacional, e em contrapartida também pelo retorno midiático que uma Série B daria para essas empresas. O clube está em negociações com algumas delas, mas ainda não definiu acordos. O Londrina também pretende ter um patrocinador máster em 2026, algo que não teve no acesso à Série C. Outra ideia que pode ocorrer é ter uma casa de apostas em um dos espaços de patrocínios, o que o clube chegou a ter por alguns meses do ano, mas que se encerrou sem grandes explicações na reta final da Série C.

“Queremos fortalecer o clube. Construir nosso centro de treinamento, pagar as dívidas. Não queremos antecipar processos e colocar tudo a perder”, destacou Guilherme Bellintani.

Dono da SAF, Guilherme Bellintani destaca aumento no orçamento para 2026, mas prega cautela
Dono da SAF, Guilherme Bellintani destaca aumento no orçamento para 2026, mas prega cautela | Foto: Rafael Martins / Londrina EC

Plano colocado em prática

Uma das principais ideias de Guilherme Bellintani para a Squadra Sports e para o Londrina era atrair ativos de grandes clubes brasileiros e que não teriam espaço nos principais times do país por conta da idade de base estourada, ou seja, jogadores entre 20 e 23 anos. E isso tem sido colocado em prática na pré-temporada. Estão no clube, em definitivo, atletas formados em equipes como Bahia, Cruzeiro, Fluminense, Flamengo, Ceará e Internacional. Por empréstimo, jogadores do Bragantino fecharam com o LEC. Com isso, o gestor consegue algo que projetava, mas que na Série C não tinha aval e pouco interesse por parte dos próprios atletas e seus empresários.

O Londrina então dará espaço para jogadores que estão buscando espaço no time profissional e que já tem como experiência o peso de terem vestido camisas de equipes do mais alto escalão do país. Com contratos definitivos, eles se tornam ativos visando futuras vendas. Com os empréstimos, o Londrina e a Squadra estreitam laços visando uma parceria futura pensando em divisão de direitos ou ao menos taxa de vitrine.

“A gente acredita que é um projeto de médio e longo prazo. A gente está plantando, e lá na frente a gente vai colher, com certeza”, seguiu Bellintani.

Logo da Folha de Londrina
Matheus Camargo

Matheus Camargo

Repórter de Esportes, com foco no Londrina Esporte Clube.

Repórter de Esportes com foco no Londrina EC e cobertura do cotidiano da cidade.