Londrina não terá prova da Truck em 2006
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sexta-feira, 15 de julho de 2005
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
O promotor do Campeonato Brasileiro de Fórmula Truck, o ex-piloto e empresário Aurélio Batista Félix, disse ontem em Londrina que a categoria não correrá no Autódromo Ayrton Senna em 2006. Irritado com a proibição do acesso de veículos e caminhões à área interna de estacionamento do autódromo, determinada este ano pela Polícia Militar, o empresário disse que teve um prejuízo ''incalculável'' em função da redução de público se comparado às provas anteriores realizadas em Londrina.
''No ano passado tivemos 22 mil pessoas assistindo à corrida, sendo que delas, pelo menos 16 mil foram pagantes. Este ano, o público total foi de umas dez mil pessoas e apenas 4.926 pagantes. Isso foi em função da proibição das famílias e dos caminhoneiros de entrarem com o veículo na parte de trás do autódromo, o que sempre foi permitido e este ano não deixaram'', lamentou Félix.
Ele reclama que foi informado da proibição apenas na terça-feira, dia 5 (a corrida aconteceu dia 10). ''Como foi em cima da hora, fomos pegos de surpresa e muita gente que viria de outras cidades acabou cancelando presença, porque estão acostumados a acampar com a família nas provas da Truck. Daí tivemos que devolver o dinheiro do ingresso para 1,2 mil pessoas'', informou.
Félix disse que essa restrição não existe em nenhum outro autódromo que realiza provas da F-Truck. ''Aqui em Londrina, como não há bolsões de estacionamento do lado de fora do autódromo, por que impedir o pessoal de estacionar aqui dentro, se tem lugar?''.
Multas O promotor do evento reclamou também da ação dos policiais do lado de fora. Foram aplicadas multas nos veículos estacionados irregularmente (sobre calçada e canteiros) e retidos os carros que tinham película de insufilme. ''Não sei pra que isso. Se for para multar todo mundo, por que não fazem isso também nas partidas de futebol? Duvido que a polícia agiria da mesma maneira se o Brasil fosse jogar no Estádio do Café ou se fosse aqui a primeira partida do São Paulo contra o Atlético-PR'', desafiou.
Ele entende que os PMs estavam no ''cumprimento do seu dever'', mas criticou o comando do 5º Batalhão. ''Acho que foi uma coisa particular de alguém que quer expulsar a Truck da cidade. Se não nos querem, não tem problema. Decidi que não vamos mais realizar a etapa do ano que vem em Londrina. Ou o campeonato ficará com uma prova a menos ou correremos na Argentina''. desabafou Félix.
Ele frisou que lamenta em deixar a cidade. ''Gostamos daqui e Londrina não merece uma coisa dessas. A cidade inteira perde com isso. Todos os hotéis, bares, restaurantes, postos de gasolina e profissionais da cidade deixam de ganhar dinheiro com a saída da Truck. Somente nós da organização empregamos 1,2 mil pessoas nos serviços de limpeza, pintura, segurança e alimentação'', elencou Félix.
O empreendedor disse que a realização de uma etapa da categoria custa em torno de R$ 1 milhão e que nesta última foram gastos R$ 1,2 milhão porque a organização investiu mais R$ 200 mil em obras de adequação do autódromo somente para receber a Truck foram trocados as cercas de proteção, os pneus de contenção, semáforos, a pista teve mudanças e os boxes foram pintados.


