Londrina não consegue sair da crise
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quinta-feira, 18 de junho de 1998
Nelson Cilo 
Depois do rebaixamento do time no Campeonato Paranaense, a história do Londrina apresentou ontem mais um triste capítulo: o chamado grupo novo desistiu de administrar o clube. O empresário Gilberto Alves de Lima, um dos líderes do colegiado que iria assumir o comando do Londrina, avisou, em entrevista coletiva na sede da Net, que a desistência é definitiva.
O motivo, segundo ele, é que a Sociedade Amigos do Londrina não respondeu à proposta para que houvesse o parcelamento das dívidas da SAL e do próprio clube, que atingem a R$ 2 milhões. Os compromissos da SAL chegariam a R$ 500 mil. A SAL não confirma. Gilberto admite que o silêncio da SAL representou uma espécie de recusa. Não posso dizer se a SAL não concordou ou se os credores é que não aceitaram. Não obtivemos retorno. Estamos fora. Isso é irreversível, acrescentou.
Gilberto disse que já havia elaborado os principais pontos do projeto que transformaria o Londrina em clube-empresa. Segundo ele, o prefeito Antonio Belinatti (PDT) viu e aprovou tudo. Não estou autorizado a apontar nomes. Mas, para se ter uma idéia da viabilidade do projeto, já tínhamos 60 empresários no grupo e uns cinco patrocinadores assegurados. O prefeito nos prometeu apoio indireto. Posso garantir que o plano era viável. Infelizmente, as negociações não evoluíram, ao contrário do que esperávamos, afirmou. Estou frustrado, confessou.
Os desdobramentos desagradaram Belinati, que, ao tomar conhecimento do desfecho da crise, mandou um recado direto aos integrantes da SAL, sem que citasse o nome do presidente Marcos Alexandre Domingues. Quero colocar o seguinte: aqui, eles (da SAL) não entram mais. Não negocio mais com eles. Meu gabinete estará totalmente fechado para eles. Quero avisar que não terão mais meu apoio. Não vai adiantar nada meter o pau no prefeito. Isso é ponto definitivo. É lamentável o que aconteceu ao Londrina nos dois últimos anos. Agora, só desejo que a SAL tenha sucesso no futuro, concluiu.
Marcos Alexandre preferiu não comentar as acusações, mas liberou um fax que contém os itens da proposta encaminhada na segunda-feira. Os principais pontos: durante dois anos - de agosto próximo até agosto do ano 2000 - o grupo pagaria R$ 5 mil mensais, até que fossem totalizados R$ 120 mil. Os passes dos jogadores vinculados ao Londrina seriam imediatamente repassados à SAL.
A SAL precisaria administrar as dívidas que havia contraído em seu período de atuação. Quanto aos acordos trabalhistas, haveria, a partir de agosto, pagamento mensal de R$ 10 mil.
O diretor-jurídico da SAL, Mauro Viotto, respondeu em nome de Marcos Alexandre. Belinati está mal-informado e ouviu um lado só. Depois que recebemos a proposta, na segunda-feira, fora do prazo combinado, telefonamos umas quatro ou cinco vezes ao Gilberto para conversar. Ele até desligou o celular. Eu e o Marcos também estivemos várias vezes na Net, mas ele nunca nos atendeu. Na última reunião do Conselho Deliberativo, prometeram que um grupo de empresários assumiria as dívidas da SAL e do Londrina, mas vejam o que o Gilberto colocou no papel. Se ele encerrou as negociações, paciência. Estamos abertos ao diálogo, completou Viotto.


