Londrina conta desde ontem com a presença de dois observadores alemães, que estão analisando minunciosamente cada detalhe da cidade. O objetivo é avaliar as condições da mesma para uma eventual parceria com o departamento de futebol amador do Londrina Esporte Clube. São os ex-jogadores e atuais dirigentes do Bayern Munich, de Munique (Alemanha), Werner Kern e Wolfgang Dremmler, este com passagem pela seleção nacional da Alemanha (ex-Ocidental), com o título de vice campeão mundial. A campeã foi a Itália. O jogador Élber, que foi revelado pelo Londrina e que está auxiliando nestes contatos, não pode estar presente ontem porque teve de viajar a Santa Catarina, para resolver assuntos particulares.
Os alemães retornam amanhã à Alemanha quando farão um relatório aos demais dirigentes do Bayern. Dependendo do que viram, o Bayern deverá chamar Iran Campos para um acerto definitivo sobre a parceria. Isto também dependerá da aprovação ou não da parceria do departamento amador do Londrina com Iran Campos. A reunião do conselho deliberativo será na segunda-feira, a partir das 19 horas.
Apesar de cansados, Dremmler e Kern tiveram uma agenda cheia. Depois do almoço, eles foram conhecer a Companhia Cacique de Café Solúvel, passaram pelo Estádio Vitorino Gonçalves Dias e terminaram no Estádio do Café. Para hoje, o destaque é uma visita à Universidade Estadual de Londrina e à PVC Brazil, empresa de Iran Campos, que está acertando a parceria com os alemães. ‘‘Pelo tamanho e progresso da cidade, eles se surpreenderam ao saber que Londrina tem apenas 66 anos’’, disse Iran.
O estudante da UEL, Daniel Jonathan Sitfft, que residiu alguns anos na Alemanha, está sendo o intérprete dos alemães. Ele teve bastante trabalho ontem., Os alemães fizeram perguntas sobre a infra-estrutura da categoria e quantos funcionários estão envolvidas. Perguntaram se o time tinha local para jogar, moradia dosjogadores, alimentação, além de assistência médica. Também quiseram saber sobre as capacidades de públicos do VGD e Estádio do Café e também sobre a média de torcedores nos jogos da equipe.
Eles também visitaram a ‘república’ do time júnior e só ficaram decepcionados porque não viram ninguém ‘batendo bola’. O elenco júnior está em férias e o profissionais viajou. Também perguntaram como é a estrutura do futebol brasileiro. Isto foi difícil do intérprete explicar, devido a bagunça que está o futebol, culminando com a final da Copa João Havelange. ‘’ Ainda bem que eles não indagaram quem é o atual campeão brasileiro‘‘, disse um dirigente.
Mesmo enumerando tudo o que o Londrina oferece ao departamento júnior, o ex-supervisor da categoria, João Severo, disse que ‘‘tudo isso poderá melhorar, caso a parceria venha a sair’’. Ele falou que o espaço físico do VGD também impede a construção de outras obras para beneficiar principalmente os juniores.
Dremmler e Kern disseram que além do Brasill, eles também têm interesse em observar jogadores de outros países sul-americanos como Paraguai, Argentina e Equador. Eles observaram que ‘‘estão em busca do talento natural dos atletas, hoje cada dia mais escasso’’. Segundo eles, hoje ‘‘o menino alemão não joga bola mais nas ruas. Tudo está concentrados nos clubes’’.
Para Ariobaldo Frisseli, o Dedé, da Fundação de Esportes de Londrina e da Universidade Estadual de Londrina, que estava presente à visita, ‘‘esta também está sendo uma tendência do Brasil, pois com o crescimento das cidades, os campos das várzeas estão acabando e surgiram as escolinhas’’.
Depois de encerrada a programação oficial de ontem, perguntado sobre o que achou de suas observações, Dremmler disse que ‘‘ainda é muito cedo para falar sobre isto. Mas está sendo muito interessante’’.

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