Londrina lava a roupa suja e já pensa em novas contratações
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de agosto de 1998
Nelson Cilo 
Além das multas aplicadas ao centroavante Alaor (30% do salário) e ao meia-armador Édson Vieira (20%), a diretoria do Londrina aproveitou a reunião de anteontem à noite, a portas fechadas, no Estádio VGD, para analisar os problemas que levaram o time à derrota diante do Remo, domingo, no Estádio do Café, na rodada de abertura da Série B do Campeonato Brasileiro.
Um dos principais assuntos foi a possibilidade de o clube contratar mais dois reforços - um atacante e um lateral-esquerdo. O diretor de futebol Tesoura segue hoje para o interior paulista e pode confirmar as possíveis novidades até o final da semana. Tenho boas indicações de pessoas da minha confiança, contou Tesoura, que vai levar uma ampla lista para a escolha de dois nomes.
O coordenador-geral do Londrina, Célio Guergoleto, falou do encontro entre ele, Tesoura, o supervisor Lico e o técnico Varlei de Carvalho. Ponderamos aqui, ponderamos ali. Enfim, lavamos a roupa suja, resumiu. Até as derrotas precisam ser convincentes. Podemos até perder, mas que não seja do jeito como aconteceu na frente dos nossos torcedores. Tomar três gols em casa é demais. Um resultado desses estraga todo um projeto de renovação que iniciamos. Aí, você vai atrás de dinheiro e explica o quê aos possíveis patrocinadores?, perguntou Guergoletto, preocupado com o que venha a ocorrer nas duas próximas partidas - Atlético Goianiense, às 17 horas de domingo, no Estádio Olímpico de Goiânia, e União São João, na quarta-feira, dia 12, à noite, em Araras. Mais do que nunca, precisamos reagir. Colocaremos em jogo nosso próprio futuro, acredita o dirigente, que deixou bem claro: Se trouxermos novos jogadores, haverá dispensas. Um ocuparia a vaga de outro.
Para Varlei, a reunião serviu para esclarecer alguns pontos importantes. Analisamos o comportamento do time e os motivos que nos teriam levado à derrota. Sei que a torcida e os dirigentes ficaram chateados, mas é claro que eu também estou muito aborrecido, afirmou o técnico.
Ao justificar o mau resultado, Varlei citou basicamente as dificuldades encontradas para se montar uma equipe em cima da hora. Faltou entrosamento. Deu pânico geral. Foi como um desastre aéreo, em que não sobraram sobreviventes. Até me lembrei da Seleção Brasileira na final da Copa do Mundo...
Para compensar a falta de conjunto, Varlei entende que o Londrina deveria explorar a individualidade. Não vou culpar os jogadores. Não faria isso. Somos todos culpados. Só acho que poderíamos mostrar algo mais e nem isso conseguimos. Varlei disse que até compreende as críticas da imprensa e as cobranças dos torcedores. Endossei a maioria das contratações. Portanto, vou exigir empenho. Só nos resta uma saída: trabalhar forte para reverter a situação. E prosseguiu: De imediato, daremos ênfase ao lado físico, mas não podemos forçar muito. Aliás, nem tivemos tempo para trabalhar separadamente a parte física para depois priorizar os treinamentos de conjunto.
Apesar de tudo, Varlei parecia bastante descontraído no treino de ontem à tarde no Zerão. O técnico recebeu a solidariedade de um casal de torcedores. Os cumprimentos o emocionaram. Isso é que legal. Isso não tem preço. Aqui em Londrina, todos me respeitam, comentou, orgulhoso.
A exemplo dos jogadores, Varlei correu na pista - deu umas 15 voltas - exibindo minha forma física impecável. Ainda corro mais do que muitos meninos por aí, brincou, apontando para a musculatura do tórax, da barriga e das pernas. Não me descuidei nem quando abandonei a carreira, explicou. Eu era um ponta tradicional, daqueles que buscam as jogadas de fundo. Quem não se lembra daquele ataque do Botafogo de Ribeirão Preto: eu, Alex, Antoninho, Rezende... O Machado no gol, o Carlucci na zaga. Que timaço..., relembrou, enquanto os jogadores corriam na pista.


