Em fevereiro, a Roni7 organizou o jogo entre Corinthians e Ferroviário, no Café: borderô anunciou público de 19.316 torcedores
Em fevereiro, a Roni7 organizou o jogo entre Corinthians e Ferroviário, no Café: borderô anunciou público de 19.316 torcedores | Foto: Marcos Zanutto/7-2-2019

São Paulo – Preso pela Polícia Civil do Distrito Federal no último sábado (25) no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, pouco antes do jogo entre Botafogo e Palmeiras, pelo Brasileirão, o ex-jogador Roni trouxe ao menos um jogo para Londrina envolvendo o atual campeão brasileiro e o Corinthians. Roni, que defendeu Fluminense, Flamengo e Santos, entre outras equipes, foi detido junto com o presidente da Federação de Futebol do Distrito Federal, Daniel Vasconcelos, suspeitos de fraudar borderôs de partidas disputadas na capital federal - a prática aconteceria por meio de sonegação do ISS (Imposto sobre Serviços). O ex-atacante é dono da Roni7, empresa criada em 2012 e responsável pela organização de eventos. Ambos estavam em um dos camarotes do estádio no momento da prisão.

Neste ano, a empresa trouxe para Londrina o jogo Ferroviário x Corinthians, disputado dia 7 de fevereiro no Estádio do Café, pela primeira fase da Copa do Brasil. O borderô da partida, disponível no site da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), está preenchido à mão e informa que foram vendidos 19.316 ingressos, gerando uma renda bruta de R$ 897.340.

A reportagem do UOL Esporte entrou em contato com o sócio de Roni e com a assessoria da Federação de Futebol do Distrito Federal, mas não obteve resposta. A Folha de S.Paulo também tentou contato com o sócio, a Federação e com a Polícia Civil, também sem sucesso.

INQUÉRITO

Em julho de 2017, o Ministério Público do Distrito Federal solicitou uma abertura de inquérito contra a Federação de Futebol do Distrito Federal. À época, a estimativa é que R$ 350 mil em impostos deixaram de ser repassados à União durante o período entre novembro de 2015 e junho de 2017.

A prisão foi feita pela Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e aos Crimes contra a Administração Pública, um braço da Polícia Civil. As detenções fazem parte da Operação Episkiros. Os mandados de prisão foram expedidos pela 15ª Vara Federal Criminal do DF.

“Eles trouxeram alguns jogos para Brasília nesse período, e de agora em diante também serão apurados jogos que eles realizaram em outros locais do país. Com o material apreendido hoje (sábado), vamos conseguir chegar a um prejuízo aproximado que deram para o erário público e os clubes de futebol, dependendo do contrato que era feito entre eles", disse o coordenador do Cecor, Leonardo de Castro, em entrevista à Globo.com.

"A investigação se iniciou há quase dois anos. É importante deixar claro que a investigação está em andamento e as prisões são temporárias, eles ainda são suspeitos. O objetivo da operação é buscar provas para que a gente chegue à materialidade do crime", ressaltou Castro.

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