Apesar da vitória de 1 a 0 sobre o Assahi, ontem à tarde, no Estádio do Café, o Londrina ‘pisou na bola’ e só conseguiu irritar os poucos torcedores - 872 pagantes - que vaiaram o péssimo futebol do time. Aos 39 minutos do primeiro tempo, Eraldo cobrou e converteu o pênalti que decretou o placar. O resultado encostou o Londrina (oito pontos) no líder Nacional de Rolândia (nove), que, em Cornélio Procópio, perdeu a invencibilidade diante do Comercial - 1 a 0 - gol de Cosminho aos 44 minutos do segundo tempo. Ainda no Grupo A da segundona paranaense, em casa, o Arapongas bateu a Portuguesa Londrinense por 1 a 0, gol de Herbert aos 3min30 da fase final.
Nem mesmo Paulo Comelli escapou da ira do público, que passaria a chamá-lo de ‘burro-burro’ no instante em que o técnico decidiu tirar Humberto para colocar Marco Antonio no meio-campo. Outra mudança: Nelsinho no lugar do centroavante Alex. Ao deixar o gramado, Humberto e Alex acenaram negativamente a cabeça, num gesto de contestação.
‘‘Chutei aquela bola na trave... Será que ele (Comelli) interpretou a jogada como gol perdido? E as chances que eu criei?’’, lembrava Humberto, que, pouco depois de arriscar de pé esquerdo - de bico, na trave - viu o representante levantar a placa de substituição. A contusão no joelho direito pareciaincomodá-lo.‘‘Comigo é assim: se um jogador não está bem, deve sair’’, declarou Comelli, ao responder às críticas de Humberto.
Comelli rebateu os argumentos de Humberto, mas disse que compreendia a revolta da torcida, que não poupou a atuação sofrível do Londrina. ‘‘Os torcedores estão certos. Eles pagam e têm o direito de exigir. Não tivemos nem personalidade nem inteligência. Acima de tudo, faltou vergonha na cara’’, supunha Comelli.
O capitão Ivanildo, que escapou da mediocridade geral ao lado de Jefferson, Humberto, Eraldo e do goleiro Renato (pouco empenhado), bateu duro em alguns companheiros, que, segundo ele, ainda não sentiram a camisa do Londrina. ‘‘Não jogamos nada. Faltou humildade. É preciso ter mais consciência profissional e ralar a bunda no chão’’, sugeriu Ivanildo.
O jogo - Desde o início, Londrina corria desordenadamente, complicando-se nas saídas de bola e na troca de passes. Os laterais Gilson (na segunda fase, ousaria um pouco mais) e Lélis ficavam excessivamente presos, sem que aproveitassem os espaços para buscar as opções de fundo.
O gol do Londrina, aos 39 do primeiro tempo, surgiu de uma situação confusa: Eraldo cobrou o escanteio da esquerda e Jefferson subiria mais que a zaga para completar da cabeça.
Gol anulado. O árbitro Cleivaldo Bernardo marcou pênalti - o lateral Capilé teria interrompido a trajetória da bola com as mãos. Eraldo, o melhor em campo, se encarrou da cobrança: 1 a 0. O volante Corina, ex-Londrina, não se conformava. ‘‘O Londrina é grande, não precisa disso. É por isso que o futebol está uma porcaria’’, reclamava Corina, aos gritos, indiferente a uma circunstância que não poderia beneficiar o infrator - o cabeceio de Jefferson configuraria vantagem no lance. O central João Neves tinha outra versão. ‘‘Cometeram falta no Picolé, que nem tocou a mão na bola.’’
O meio-campo do Londrina se limitava esforço de Jefferson e aos toques refinados de Humberto e Eraldo - este se contundiu no púbis e saiu de maca. No ataque, Aléssio e Alex pararam na forte marcação de João Neves e Martinelli. Aléssio, aliás, desperdiçaria uma oportunidade incrível, aos 36 minutos da etapa final, ao ajeitar o lançamento perfeito de Eraldo, driblar o goleiro Bilé e, diante do gol livre, dar um chutão pelo alto.
O azar do Assahi, que explorou os contragolpes, é que o ágil Joilton acertou duas bolas na trave - uma em cada tempo.


FICHA TÉCNICA

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