Londrina faz festa pelo título e já discute time para o Nacional
Mauricio Della Barba
A festa pela conquista do Campeonato Paranaense da Série A-2 pelo Londrina continuou ontem. Com largos sorrisos, diretores, jogadores e comissão técnica dedicaram a tarde inteira para posar para fotos junto aos troféus conquistados e para uma calorosa troca de abraços - tudo para comemorar a vitória de anteontem à noite sobre a Portuguesa, por 2 a 0. Até um pequeno grupo de torcedores esteve gritando e aplaudindo os jogadores durante a apresentação do grupo no VGD. No final da tarde, um churrasco na sede campestre do Londrina reuniu todos antes das férias coletivas.
Apesar da festa, os dirigentes também conseguiram arrumar tempo para se reunir e discutir o futuro do Londrina, que tem como próximo compromisso o Campeonato Brasileiro da Série B, no final de julho. Os treinos da equipe profissional estão suspensos e os jogadores foram dispensados. O Tubarão só volta a treinar no começo do próximo mês.
Célio Guergoletto, vice-presidente de futebol, declarou após a reunião que o time que disputará a Série B do Brasileiro terá como base principal os jogadores que conquistaram a segundona paranaense. A conversa está aberta com todos. Temos interesse em que fiquem para a disputa do Brasileiro, disse. Guergoletto também disse que a permanência do técnico Val de Mello no comando da equipe é quase certo. Por nós, ele fica. Val conseguiu realizar uma tarefa difícil, e com muito sucesso, declarou.
Para Val de Mello, a vontade de participar na Série B do Brasileiro pelo Londrina é mútua: Vamos sentar e conversar. É claro que gostaria de levar o Londrina para frente no Brasileiro. O salário dele, que ainda recebe como treinador dos juniores, de R$ 1.700,00, será um dos principais ponto na negociação do novo contrato. Com a conquista do título e o trabalho desenvolvido este ano, Val também despertou interesses de outros times na sua contratação.
Outras duas permanências na equipe, tidas quase certas, é a do zagueiro Ivanildo e do goleiro Renato. O Londrina vai garantir a alimentação e a hospedagem dos dois jogadores até julho. Eles são casos especiais, definiu Guergoletto. Renato parte hoje para Curitiba, onde tem esposa e filhos, para um período de férias. Gostei de trabalhar no Londrina e não gostaria de sair da cidade, mesmo porque tenho que terminar meus estudos, explicou o atleta, que faz um curso pré-vestibular em Londrina.
Ivanildo é outro que também não quer arredar o pé da cidade. Me simpatizei muito com Londrina, com a torcida e com o povo daqui. Seria difícil deixar tudo, disse o zagueiro, que parte de férias para Cabo Frio, onde mora sua família.
Outros jogadores que contam com muita chance de ficar para a disputa da Série B no Londrina são os atacantes Aléssio e Fábio Nascimento, além do meia Tião e do lateral Pitti. Esses têm o passe na mão de empresários. Vamos negociar, disse Guegoleto. Pitti, um dos mais novos da equipe, estava ontem com o pé engessado. O lateral torceu o tornozelo no jogo de quinta-feira em uma disputa de bola.
Incerteza mesmo fica para os jogadores de outras cidades. Liberados pelo Londrina ontem, Eraldo, Humberto, Lima, Lelis e Jefferson vão aguardar por algum contato da diretoria do Tubarão. Humberto, que fez o primeiro gol do jogo do título, acredita que tem lugar na equipe. Como sou dono do meu passe, tenho a liberdade de escolher o melhor para mim, disse o meia, que já recebeu algumas propostas, inclusive para jogar na Europa. Humberto é de Brasília.
Eraldo, que tem família em São Paulo; Jefferson, em Campo Grande (MS); Lima, em Curitiba; e Lelis, em Cianorte; estão na mesma situação. O zagueiro Freitas, que foi emprestado do Palmeiras, será devolvido. Vamos mandar Freitas de volta com uma carta agradecendo o empréstimo e pedindo prioridade para a compra de seu passe, disse Guergoleto.
Dinheiro é a palavra-chave para a diretoria arranjar o Londrina que disputará a segundona nacional. Guergoletto confirmou que será necessário um reforço de pelo menos três jogadores de nível nacional para o campeonato. Para isso, tem que conseguir um patrocínio. É mais fácil conseguir dinheiro para o Brasileiro do que para o Paranaense, ele acredita.
O dirigente afirmou que o custo da equipe profissional para disputar a Série B nacional é de cerca de R$ 130 mil. No Paranaense, fizemos uma campanha improvisada, amadora. Não podemos nos aventurar assim no Brasileiro. Guergoletto pretende vender o passe de alguns jogadores para obter o dinheiro necessário. Não gostaria de vender nenhum dos nossos. Mas é impossível segurar jogadores, até mesmo pela própria sobrevivência do clube.
Guergoletto pretende arrumar a verba em dois lugares. A mais próxima está na parceria com um time europeu, em troca de alguns jogadores juniores. Não quero falar sobre isso. Existe muita gente de olho, o que pode atrapalhar tudo, explicou, sem dar maiores detalhes do negócio. Guergoletto deve viajar em breve para tratar do assunto.
Outra opção do Londrina, seria uma proposta de um grupo americano que teria escolhido 30 clubes brasileiros para um patrocínio.Jogadores e comissão técnica participam de churrasco e dirigentes discutem como montar o time para julho
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