Londrina está fora da elite da São Silvestre
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2003
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
A experiente Cleuza Maria Irineu, que era esperança de pódio, está contundida
O presidente da Fundação de Esportes de Londrina, Marival Mazzio, disse ontem que pretende ouvir a comissão técnica e os atletas que compõem a equipe londrinense de atletismo para avaliar a necessidade de se investir mais na preparação de corredores para as disputas de provas pedestres, especialmente a São Silvestre, a mais importante do gênero na América Latina.
''Temos uma equipe jovem, de bom nível. A modalidade tem conseguido resultados expressivos em outros tipos de competição, mas é inegável que apresentamos uma deficiência em provas de rua'', admitiu o dirigente.
Mazzio considera o volume de recursos da Fundo de Incentivo ao Esporte repassado ao atletismo suficiente para preparar e revelar competidores de nível. ''Mas resta saber se isso é uma prioridade para quem coordena os projetos da modalidade''.
Para o dirigente, a realização da Prova Pedestre Cidade de Londrina, que teve sua terceira edição neste ano, justificaria o investimento no pedestrianismo. ''Não faz sentido ter uma prova aqui, ainda mais com o mote de ser preparatória para a São Silvestre, sem competidores locais de ponta'', argumentou. Este ano, nenhum atleta da cidade ocupou o pódio instalado no Zerão.
A crise de valores na modalidade pode ser medida justamente no ponto alto do calendário nacional. Hoje à tarde, quando a sirene soar na Avenida Paulista, o nome da Fundação não estará estampada em nenhuma camiseta do pelotão de elite. Londrinense, só competindo por outra cidade.
Cleuza Maria Irineu, experiente competidora de currículo respeitado, seria a única esperança de pódio mas sofreu uma contusão e nem viajou para a capital paulista.
Enquanto isso, na tarde de ontem, o ex-técnico local Moacir Marconi, que hoje coordena um trabalho social baseado em atletismo no município de Nova Santa Bárbara (70 km ao sul de Cornélio Procópio), era elemento ativo no burburinho pré-São Silvestre.
A caminho do congresso técnico da prova, Marconi, conhecido no meio esportivo como Coquinho, tinha motivos de sobra para ter ansiedade. Dois competidores que treinam em Nova Santa Bárbara, José do Nascimento e Claudenir dos Santos, ambos de 24 anos, vão brigar ''com chances reais'' para cruzar a linha final entre os dez primeiros brasileiros, o que garante prêmio em dinheiro. José do Nascimento, cuja melhor colocação foi um 12º lugar, pode, segundo Coquinho, até mesmo terminar entre os cinco primeiros.
Coquinho e Nova Santa Bárbara também poderão ter uma alegria com sotaque estrangeiro. A queniana Debora Nengich, 23 anos, treinou nas últimas semanas na pequena cidade e ganhou a simpatia da população. ''Ela pode vencer, sim. Para mim, é uma das favoritas''. Coquinho também espera bom desempenho do compatriota de Debora, Benson Sherono, 28, que a acompanhou na pré-temporada. Ambos irão passar mais algumas semanas disputando provas pedestres na América do Sul.
A prefeitura de Nova Santa Bárbara banca alojamento e refeições de quatro atletas de ponta (mais os quenianos), além de ajudar financeiramente no esforço de revelar novos corredores de rua.


