Torcedor abandona LEC desde volta à Série B
Arrecadação do clube com bilheteria caiu mais de 50% de 2016 a 2018 e público total teve redução superior a 40%
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de março de 2019
Arrecadação do clube com bilheteria caiu mais de 50% de 2016 a 2018 e público total teve redução superior a 40%
Lucio Flávio Cruz - Grupo Folha 

A imagem das arquibancadas vazias no estádio do Café tem se tornado cada vez mais constante nos jogos do Londrina. O número de torcedores tem diminuído ano a ano, na contramão das boas campanhas do clube nas últimas temporadas.
Levantamento exclusivo da FOLHA mostra que a arrecadação total em bilheteria do LEC despencou mais de 50% de 2016 para 2018 e que a presença da torcida nos jogos caiu mais de 40%. Os dados mostram os números de todas as competições que o Alviceleste disputou a partir de 2016, ano em que o clube voltou a jogar a Série B do Campeonato Brasileiro.
Mesmo com o valor médio do ingresso tendo variado pouco – de R$ 18,95 em 2016 para R$ 16 em 2018 -, o Londrina perdeu mais de R$ 1 milhão de arrecadação em três anos. Em 2016, o Tubarão fez 28 jogos como mandante, incluindo Campeonato Paranaense, Copa do Brasil e Série B, e arrecadou R$ 2.175.896, com uma média de R$ 77.710 por partida. No total, 114,8 mil pessoas acompanharam os jogos do time, o que proporcionou uma média de 4,1 mil pagantes por confronto.
No ano seguinte, foram 33 partidas em casa e a arrecadação somou R$ 1.965.368, com média de R$ 59.556. O público também diminuiu. Foram 112.270 pagantes, o que gerou uma média de 3.402 por jogo. Vale ressaltar que em 2017 o Londrina foi campeão da Copa da Primeira Liga e, mesmo tendo enfrentado três grandes adversários no estádio do Café (Fluminense, Cruzeiro e Atlético Mineiro), os números ficaram abaixo dos de 2016.
A curva ascendente se acentuou no ano passado. Nos 26 jogos como mandante, o LEC arrecadou apenas R$ 1.067.073, uma queda de 51% se comparado com o que entrou nos cofres do clube em 2016. A média de arrecadação foi de R$ 41.041 por partida. O público geral despencou 41% e apenas 66.729 torcedores assistiram aos jogos da equipe no Café, média de 2.566 pagantes por partida.
Até aqui em 2019, foram apenas cinco partidas em casa – quatro pelo Estadual e uma pela Copa do Brasil -, e a arrecadação total foi de R$ 114.383, uma média de R$ 22.876. Foram 4.797 pagantes, que proporcionaram uma média de 959 por partida.
Paranaense
Levando em conta somente o Campeonato Paranaense, o torcedor tem também prestigiado cada vez menos o Londrina. Em 2016, a média final de pagantes foi de 2.273, ante 2.070 em 2017 e 1.362 em 2018. No Estadual deste ano, a média foi de 827 nos quatro jogos realizados até aqui. Um detalhe: em 2016, o LEC precisou mandar dois jogos em Arapongas, em razão da troca do gramado do estádio do Café, e mesmo assim teve a melhor média dos últimos anos. As outras partidas do Estadual daquele ano foram disputadas no VGD.
Série B
Competição mais importante do calendário alviceleste, a Série B também não tem empolgado o torcedor alviceleste, mesmo com o time tendo brigado pelo acesso até o fim nas últimas três temporadas. Em 2016, ano da volta do clube à competição, a média de pagantes foi de 4.925 por jogo. Em 2017, foram apenas 2.923 pagantes por partida, uma queda de 40% na presença do torcedor. No ano passado, a variação foi irrelevante e o LEC terminou com uma média de 2.980 pagantes por jogo.
A pouco mais de um mês para começar uma nova edição do Brasileiro, o LEC tenta encontrar meios de aumentar a presença do público no Café. O clube aposta mais uma vez no programa de sócio-torcedor. Apesar de ter o atacante Dagoberto como garoto-propaganda, o plano ainda não deslanchou e o número de adesões não chegou a 1,5 mil.
O torcedor que não se entusiasmar com o programa terá que encarar os salgados valores de ingressos que o clube definiu para prestigiar o time: R$ 70 a entrada para a arquibancada e R$ 100 a cadeira.


