A utilização ou não de gramados sintéticos no futebol profissional virou tema de debate nacional nos últimos dias após vários jogadores como Lucas Moura, Neymar e Memphis Depay lançarem uma campanha a favor da proibição do piso artificial. Porém, semanas antes do assunto explodir nacionalmente, o futebol paranaense já debatia o assunto.

Na primeira fase do Estadual foram muitas reclamações sobre as condições dos gramados do São Joseense, que atua no estádio do Pinhão, em São José dos Pinhais, e do Andraus, que disputou uma partida no Atílio Gionedis, em Campo Largo.

Técnico do Londrina, Claudinei Oliveira foi um dos que se manifestou publicamente sobre o estado do gramado do Pinhão, onde o LEC jogou contra o São Joseense e perdeu por 2 a 1.

“É alguma coisa parecida com futebol, mas não é futebol. Vocês devem jogar futebol, na pelada, em sintéticos melhores que esse. Com todo respeito, nada contra ninguém de São José dos Pinhais e contra a equipe, mas não tem condições. Um campeonato sério não pode jogar num campo desse. Tem coisa que você não vê nem em campeonato amador. A gente quer valorizar o produto, é um grande campeonato paranaense, é para ser um grande campeonato, mas tem que tomar cuidado com vários fatores para não descredibilizar a competição”, disparou o treinador do Tubarão.

Outro técnico que esbravejou sobre a condição do gramado foi Tcheco, então no Paraná Clube, que antes mesmo da partida contra o São Joseense usou um termo curioso para definir o estado do gramado do Pinhão: “Tapético”.

“Todo mundo sabe como é o campo. Só vou pedir para a Federação, quando faz a observação para a liberação dos estádios, que ali não tem condição, não é sintético, é um tapético, é um tapete. Longe de questionar o São Joseense, estão no direito deles, mas não dá para a Federação liberar. Dentro desse sentido, eu clamo para os próximos anos, até para termos um nível melhor. Eles cobram tanto do Paraná, do Athletico, quando eu estava no Cascavel, eram tantos pedidos, que não sei como liberam esse campo", disse o treinador, que foi a São José dos Pinhais e viu o Paraná perder por 2 a 0.

O gramado sintético do Pinhão também foi criticado por Silvinho Canuto, que estava no comando do FC Cascavel na partida que terminou empatada por 1 a 1 entre as duas equipes. A partida teve algumas nuances, já que foi interrompida em um dia por conta da forte chuva que alagou o campo, e foi jogada no dia seguinte, pela manhã, em um forte calor que esquentou a “borracha” do sintético, provocando lesões nos pés dos jogadores que foram a campo.

“Desumano: essa é a palavra que define as condições de jogo no estádio municipal do Pinhão. Não apenas para nossa equipe, mas também para o adversário. Tivemos que realizar várias substituições ao longo do jogo devido ao desgaste extremo dos atletas em campo. A Federação Paranaense de Futebol precisa reavaliar as condições”, lamentou Canuto.

O gramado sintético do Pinhão será trocado para a próxima temporada, já que o estádio passará por uma reforma completa que custará cerca de R$ 12 milhões. A ideia é instalar um piso semelhante ao da Ligga Arena, estádio do Athletico Paranaense.

Cianorte e o jogo que viralizou

Um dos jogos que saíram da “bolha” do futebol paranaense foi o confronto do Andraus contra o Cianorte, no estádio Atílio Gionedis, em Campo Largo. Foi o único jogo que o time da região metropolitana de Curitiba mandou no local, mas suficiente para causar forte protesto da direção do Leão do Vale.

Por meio de nota oficial antes da partida, que terminou com vitória do Andraus por 1 a 0, o Cianorte reclamou e chamou o campo de “quadra”.

“O Cianorte FC SAF vem por meio desta nota demonstrar a sua indignação com o estado da ‘quadra’ em que irá ocorrer a partida de logo mais. O ‘gramado sintético’ do estádio Atílio Gionedis está incapacitado de receber uma partida a (sic) nível profissional do Campeonato Paranaense”, publicou o time do Noroeste. A manifestação do Cianorte ganhou espaço em várias páginas nas redes sociais.

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