Sequência negativa escancara desequilíbrio do LEC dentro e fora de campo
Time alviceleste chegou ao sétimo jogo seguido sem vitória e viu a pressão por reação rápida aumentar
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de setembro de 2019
Time alviceleste chegou ao sétimo jogo seguido sem vitória e viu a pressão por reação rápida aumentar
Pedro Marconi - Grupo Folha 

O Londrina completou no fim de semana sete partidas sem sentir o gosto da vitória na Série B do Campeonato Brasileiro. É a pior sequência do time em termos de resultados desde que retornou para a competição, em 2016. O último revés foi contra o CRB, por 1 a 0, em pleno estádio do Café, sábado (31). Em sete rodadas são dois empates e cinco derrotas, sendo três delas consecutivas e já sob o comando de Claudio Tencati, que assumiu no lugar de Alemão, demitido justamente pela falta de estabilidade. O próximo desafio é terça-feira (3), diante do Brasil de Pelotas, fora de casa.
Todo este contexto de crise, potencializado pela sequência negativa, tem demonstrado o desequilíbrio do LEC dentro e fora das quatro linhas. “De todos os trabalhos que fiz no Londrina, tivemos oscilações, problemas, mas, nunca tivemos um ambiente tão instável, com todos um pouco assustados. Quando cheguei senti isso e estou procurando controlar e dar estabilidade de novo ao elenco. Disse isso a eles (jogadores) no vestiário. Sinto que o grupo tem um foco bacana, só que ainda existe um processo de desconfiança”, reconheceu. “Encontramos um momento de ambiente com uma hostilidade interna muito grande”, acrescentou.
Já na hora do jogo, o que tem sido visto é um Tubarão que começa organizado, entretanto, que perde seu ponto de constância ao longo da partida. “Não estamos conseguindo os dois setores (das laterais) tendo equilíbrio. Quando isso acontece o fluxo de marcação vem para os lados, você 'abre o meio-campo' e espaços para aproximação do Germano e Higor Leite, para procurar o Júnior Pirambu e isso não estamos fazendo”, afirmou Tencati.
Para o meia Higor Leite, que retornou no jogo com o CRB após se recuperar de lesão, os atletas ainda estão se adaptando à filosofia de trabalho que está sendo implantada por Claudio Tencati e que, por isso, não existe problema técnico, tático ou psicológico. “Cabe a nós acatarmos melhor as orientações que ele (treinador) passa. Estamos desesperando um pouco porque não abrimos o placar. Estamos saindo de qualquer maneira para tentar abafar e, consequentemente, sofremos o contra-ataque que o adversário está conseguindo 'matar o jogo'. Temos que melhorar e vamos, pois, o campeonato não acaba aqui. Daremos a volta por cima e é com muito trabalho que se resolve”, defendeu.
AVISO?
Sem escolher culpados para o mau momento do LEC, o comandante alviceleste assumiu a responsabilidade pelos três reveses seguidos e avisou: se o problema for ele, vai embora. “Não serei eu que vou atrapalhar a vida do Londrina. Se nós entendermos que os atletas não começam a responder aquilo que penso, se a diretoria desconfia. Isso já dizia lá trás, quando trabalhei aqui. Estamos 'levando porrada' agora e é merecido. Temos que suportar isso, mas temos que mudar. Se tiver que ir embora paciência, segue a vida”, destacou.
QUANDO A FASE NÃO É BOA...
O Londrina continua estacionado na 11ª colocação, com 25 pontos. Está a sete pontos do G-4 e a quatro da zona de rebaixamento. O baixo aproveitamento depois da parada para a Copa América também vem acontecendo num período com uma rotina intensa de confrontos, totalizando 12 em um mês e meio, e com vários atletas indo para o departamento médico. “Falta treinar mais, aprimorar mais e não estou tendo tempo para isso”, lamentou Tencati.
Somente em agosto o Alviceleste registrou pelo menos seis jogadores com lesão: os zagueiros Augusto e Marcondes, os meio-campistas Anderson Leite, Matheus Neris e Denner, e o atacante Dagoberto. No caso de Neris e Denner, as contusões foram no decorrer da derrota para o CRB. O primeiro foi sacado após acusar desconforto e o segundo, que entrou no lugar, sentiu o joelho numa dividida de bola com um minuto em campo e também precisou sair. Além deles, não estará a disposição na terça-feira o lateral Raí Ramos, que foi expulso. A diretoria deve contratar cinco reforços, sendo que parte deles já estão acertados e poderão ser apresentados nos próximos dias.
Londrina terá sequência 'pedreira' na Série B
A partida contra o Brasil de Pelotas, na terça-feira (3), a partir das 19h15, no estádio Bento Freitas, no Rio Grande do Sul, marca o início de uma sequência “pedreira” que o Londrina terá pela frente. Serão confrontos contra adversários que estão bem na Série B do Campeonato Brasileiro, brigando pelo acesso, ou que querem fugir do “fantasma” do rebaixamento. O LEC viajou para Pelotas domingo (1º) e fará apenas um treinamento leve nesta segunda-feira (2) antes do duelo.
A Xavante tem a mesma pontuação e as sete vitórias, quatro empates e nove derrotas do azul e branco na competição. O aproveitamento, idêntico, é de 41,7%. Também enfrenta uma fase de instabilidade, porém, com registro de triunfos nas últimas cinco rodadas. A equipe gaúcha figura na 12ª posição da tabela.
Em seguida, pela 22ª rodada, no fim de semana, o Tubarão enfrentará no estádio do Café o Coritiba, atual vice-líder do campeonato e que ostenta uma das melhores campanhas no pós Copa América. Depois deste compromisso, o time terá uma semana de descanso e preparação para jogar contra o líder Bragantino, em 21 de setembro, fora. Posteriormente, pega o Sport, quarto colocado, em casa, e o Vila Nova, no final deste mês, também dentro de seus domínios. Atualmente, o clube goiano é o primeiro do grupo que cai para a terceira divisão.
“Estamos numa fase do campeonato que não podemos errar mais. A nossa cota de erros acabou. Então, vamos muito focados e organizados (contra o Brasil de Pelotas). Traremos um bom resultado de lá (do Bento Freitas)”, projetou o meia Higor Leite. (P.M.)


