Retrospectiva: LEC começou bem, mas terminou rebaixado para Série C
Direção alviceleste ainda tenta salvar 2019 com recurso no STJD; retorno de Alemão é a principal aposta para um feliz ano novo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de dezembro de 2019
Direção alviceleste ainda tenta salvar 2019 com recurso no STJD; retorno de Alemão é a principal aposta para um feliz ano novo
Gabriel Alves - Estagiário* 
O LEC iniciou 2019 com expectativa em alta pelo acesso à Série A em 2020, até pelas últimas campanhas no Nacional, que terminaram com o Tubarão muito próximo do G4 e da vaga para a elite do futebol nacional. Mas, o ano terminou bem diferente com o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
O planejamento foi um dos principais alvos das críticas após a degola. No final de 2018, o clube firmou uma parceria com Novorizontino-SP, que levou emprestado o até então técnico Roberto Fonseca e alguns jogadores para a disputa do Campeonato Paulista. Com isso, Alemão subiu da base para treinador do time principal, fez um bom estadual com uma equipe jovem de futebol envolvente e caiu nas graças da torcida alviceleste.
Além disso, Alemão conseguiu avançar até a quarta fase da Copa do Brasil, eliminando o Americano-RJ, Botafogo-PB e o Paraná Clube. Roberto Fonseca retornou para o jogo de ida contra o Bahia pelo torneio, foi goleado por 4 a 0 e pediu demissão. Assim, terminou a parceria com o time paulista, sem nenhum atleta de peso cedido para a sequência do ano.
BONS TEMPOS
Apesar do planejamento frustrado, o LEC tinha uma equipe jovem, com garotos talentosos e um técnico ofensivo. O Londrina venceu o CRB de virada, fora de casa, já conquistando os três primeiros pontos com um futebol convincente. O time chegou sustentou a invencibilidade nas primeiras rodadas e perdeu para Sport, em Recife.
A derrota não havia abalado o time, que estava em boa fase e encarou o Leão de igual para igual. Até a parada da Copa América, o Londrina ocupava o quarto lugar da Série B.
No primeiro jogo após a pausa, contra o Operário, fora de casa, derrota por 2 a 0, mas o resultado não abalou a confiança de Alemão. Porém, a sequência negativa seguiu e a direção alviceleste optou por demitir Alemão.
Além disso, Luquinha e Rômulo foram negociados por Sérgio Malucelli. No segundo semestre, o principal nome do LEC na temporada, Anderson Oliveira, e Safira, um dos artilheiros no ano, também deram adeus ao time, que já descia ladeira abaixo. Nenhuma contratação conseguiu repor a saída dos principais nomes do elenco.
DANÇA DAS CADEIRAS
Com a demissão de Alemão, o Tubarão trouxe de volta Cláudio Tencati, que retornou ao time depois de 1 ano e nove meses. Logo na reestreia, o LEC foi goleado, no Café, pelo São Bento que ocupava a penúltima colocação do torneio.
As derrotas para Guarani, CRB e Brasil de Pelotas aumentaram a crise. A vitória contra o Coritiba, em Londrina, trouxe um certo alívio, mas logo a sequência negativa voltou e nem um ídolo do tamanho de Claudio Tencati, o treinador mais vencedor da história do LEC, conseguiu suportar a pressão.
Mazola Júnior foi o terceiro treinador do Londrina na Série B, que perdeu sua identidade e procurava uma nova forma de atuar dentro de campo. Na partida de estreia, o time mostrou vontade e conseguiu vencer o Cuiabá, fora de casa. O jogo, por sua vez, apenas trouxe uma falsa ilusão de uma retomada alviceleste. O que não aconteceu. Logo nas rodadas seguintes, o time perdeu mais dois jogos, contra a Ponte Preta e Operário.
Com a derrota para o rival do interior do Paraná, dentro de casa, por 2 a 0, com o time visitante praticamente reserva, o LEC dava sinais que não iria conseguir escapar da crise. Nervoso, Malucelli chamou os atletas de "porcarias".
No mesmo dia, o LEC já demitiu três atletas, entre eles os zagueiros Diogo Silva, Wallace Acioli e o lateral-esquerdo Juninho.
Após o desabafo do dirigente, o Londrina conseguiu um triunfo impressionante. Bateu o Vitória no Barradão, mas o resultado foi mais uma ilusão. O LEC perdeu quatro jogos seguidos e a derrota contra o América-MG, em casa, culminou na demissão de Mazola Jr. Silvinho Canuto assumiu o mandato tapão com a difícil missão de evitar o rebaixamento, mas o milagre não aconteceu.
ESPERANÇA
Após a confirmação da queda, a diretoria do clube procurou os tribunais em relação ao W.O. do Figueirense contra o Cuiabá. O clube entende que há margem para punição ao clube catarinense, que poderia ser rebaixado no lugar do LEC. Os dois times terminaram com apenas dois pontos de diferença - 39 a 41.
Em um primeiro momento o presidente do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), Paulo César Salomão Filho, deferiu o pedido e solicitou que os resultados da última rodada não sejam homologados. O caso ficou para julgamento em 2020.
Mais do que contar com o tribunal extra-campo, a esperança da torcida está no retorno do treinador Alemão, que comandou o Tubarão em seu melhor momento em 2019. Se repetir o bom futebol, manter a sequência de trabalho com planejamento e montar um elenco competitivo, o Londrina tem condições de fazer uma ótima campanha no Brasileiro para retornar, dentro de campo, para a Série B. (Sob supervisão do editor Rafael Fantin)


