O Tubarão no Maracanã, o Templo Sagrado do futebol
Na semana dos 70 anos do lendário estádio, a FOLHA recorda último jogo do LEC no Maraca, há 27 anos, e conta por que essa partida mudou a carreira de dois ex-jogadores alvicelestes
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de junho de 2020
Na semana dos 70 anos do lendário estádio, a FOLHA recorda último jogo do LEC no Maraca, há 27 anos, e conta por que essa partida mudou a carreira de dois ex-jogadores alvicelestes
Lucio Flávio Cruz - Grupo Folha 
Ao longo da sua história, o Londrina teve o privilégio de jogar três vezes no Maracanã. Os resultados não trazem boas lembranças, mas atuar em um dos templos do futebol mundial sempre deixa marcas seja nos clubes ou para os jogadores. Na semana em que o estádio Mário Filho comemorou 70 anos, a FOLHA relembra os momentos vividos pelo Tubarão naquele que já foi o maior estádio do mundo.

Os dois primeiros jogos no Maraca foram quando o LEC estava na Série A do Brasileiro. Em 1977, ano em que o Alviceleste surpreenderia a todos e terminaria na quarta colocação, o time foi derrotado pelo Botafogo por 3 a 0, em partida válida ainda pela primeira fase. Em 1981, o adversário foi o Vasco, que goleou por 6 a 1 e se vingou da vitória épica do Londrina em São Januário três anos antes.
A última vez que o LEC pisou no gramado do Maracanã foi em 1993, para enfrentar o Flamengo pelas quartas de final da Copa do Brasil. O Tubarão vinha embalado após eliminar o Operário (MS) e o poderoso Internacional, em pleno Beira-Rio. O rubro-negro venceu no Rio por 1 a 0 no dia 30 de abril, e com o empate por 1 a 1 no estádio do Café se classificou para a semifinal.
DIVISOR DE ÁGUAS
Apesar da eliminação, o confronto com o Flamengo foi fundamental para a carreira de dois jogadores do LEC: o goleiro Carlão e o atacante Aléssio. Após brilharem na temporada, os dois foram contratados pelo Botafogo.

O jogo da ida foi em uma sexta-feira e o Flamengo ganhou com um gol de Nélio. Mas a derrota foi um divisor de águas na carreira do ex-goleiro alviceleste. A grande atuação diante dos rubro-negros valeu a contratação pelo rival, onde Carlão ficou por três anos e foi campeão Brasileiro em 1995 e da Conmebol em 1993.
"O Edson Vieira - meia revelado pelo LEC - já tinha me indicado e os dirigentes do Botafogo foram ver o jogo. Acabei me destacando na partida e fui contratado. Este jogo foi muito importante para a minha carreira", frisa.
O ex-atacante Aléssio lembra que o confronto com o Flamengo gerou uma expectativa muito grande no clube e na cidade, em razão da boa campanha do Londrina e pelo retorno ao Maracanã.

"O Londrina não jogava lá há muito anos e fomos atrás de mais um resultado impossível, como foi contra o Inter. A ideia era pelo menos um empate. O Flamengo tinha um time jovem também, mas muitos jogadores deles brilharam depois no futebol", comenta Aléssio, autor do gol que havia eliminado o Inter na fase anterior.
No Botafogo, os dois londrinenses tiveram a oportunidade de muitos outros duelos no Maracanã. Naqueles anos, o Alvinegro mandava jogos no antigo estádio de Caio Martins, em Niterói, mas os clássicos e os grandes jogos aconteciam no Maraca. Carlão relembra com saudades sobretudo dos clássicos contra Flamengo, Vasco e Fluminense.
"Em 1994, peguei um pênalti do Nélio contra o Flamengo e vencemos por 1 a 0. Me marcou demais porque fui na direção da torcida do Flamengo comemorando como se tivesse feito um gol", recorda o ex-goleiro, que foi considerado o grande nome daquela partida. "Era muito legal ver aquela geral do Maracanã onde o torcedor ficava em pé e muito próximo do gramado".
Titular na decisão, Aléssio não se esquece da final da Conmebol diante do Peñarol em um Maracanã com mais de 65 mil pessoas. O título botafoguense veio nos pênaltis após o 2 a 2 no tempo normal.
"O Botafogo estava há anos sem títulos e nunca havia conquistado uma competição internacional. Deu para sentir toda a paixão do torcedor nesta conquista e até hoje todo ano tem uma festa no clube para relembrar o título", conta. "No Maracanã tudo é diferente. Desde o vestiário você já sente aquele frio na barriga. É um estádio mágico realmente e fui um privilegiado por ter vivido grandes momentos naquele gramado".


