A direção do Londrina anunciou nessa segunda-feira (30), após se reunir com o meia Celsinho, que tomará as medidas cabíveis contra o Brusque e o presidente do Conselho Deliberativo do clube catarinense, apontado pelo jogador como o autor de ofensas racistas durante o jogo do último sábado (28), no interior catarinense. “Principalmente, nas esferas criminal, cível e desportiva, tendo em vista que há o amparo legal perante o Judiciário Brasileiro e a Justiça Desportiva para punir atos repugnantes como este, a fim de não serem mais praticados!”, afirmou o LEC em nota oficial publicada ontem em suas redes sociais, em que repudiou as ofensas. O clube também afirmou que colocou todo o seu departamento jurídico à disposição de Celsinho, que pela terceira vez foi vítima de injúria racial na Série B.

Imagem ilustrativa da imagem LEC diz que acionará Justiça após novas falas racistas contra Celsinho
| Foto: Ricardo Chicarelli/Londrina Esporte Clube

O Londrina ressaltou que a ofensa partiu de uma pessoa que estava na arquibancada do Estádio Augusto Bauer, devidamente autorizada pelo Brusque Futebol Clube, que teria dito: “vai cortar esse cabelo, essa cachopa de abelha”. Na súmula da partida consta que o ato foi praticado por um homem que fazia parte do estafe da equipe de Brusque. Ele foi identificado como Júlio Antônio Petermann, presidente do Conselho Deliberativo do Brusque, e negou em entrevista à FOLHA ter praticado o crime. Disse inclusive que irá processar Celsinho por calúnia (leia nesta página).

A assessoria do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) informou que todas as denúncias registradas em súmula são analisadas pela Procuradoria e que ainda não tem um prazo para que esse caso seja analisado. No entanto, explicou que a Procuradoria ainda não estabeleceu a quem oferecerá a denúncia e nem em que artigo o caso pode ser enquadrado.

Na nota oficial divulgada ontem, a direção do Londrina afirmou que foi surpreendida pelo primeiro posicionamento do Brusque sobre o episódio, publicado em suas redes sociais no domingo à noite (29). Na ocasião, o clube catarinense relativizou a injúria racial que teria sido praticada por membro ligado à equipe e ainda suscitava a hipótese de que a vítima, o jogador Celsinho, teria criado uma falsa imputação como “artifício esportivo”.

“É lamentável, inadmissível, a postura do Brusque Futebol Clube diante desta situação! O fato ocorreu, é certo! Há diversas testemunhas que presenciaram a injúria racial citada! É absurdo que a referida entidade de prática desportiva desvirtue a gravidade dos fatos, tentando ainda terceirizar a responsabilidade para a vítima”, escreveu o Londrina em sua nota.

Segundo o LEC, atletas do próprio Brusque, após a divulgação da nota oficial, publicaram em suas redes sociais manifestações contra o racismo, aderindo à luta, “mostrando assim o quão desrespeitoso e repugnante foi o posicionamento do Brusque Futebol Clube”.

“O racismo é assunto sério e jamais seria utilizado como artifício esportivo pelo atleta, o qual vem sofrendo ataques racistas nessa competição e está envolvido sim neste tipo de episódio, como citado pelo Brusque em sua nota, pois infelizmente ainda há no mundo pessoas irracionais, racistas, que querem atacar e desconstruir essa luta”, afirmou a nota do Londrina.

PEGOL MAL

Esse primeiro comunicado do Brusque repercutiu mal e logo a hashtag #racistas ficou entre as mais comentadas do Twitter, alegando que o texto oficial do clube foi preconceituoso. Ao ver o estrago feito pelo texto equivocado, o Brusque emitiu tardiamente um novo comunicado com um pedido de desculpas, no qual afirmou que o clube "sempre foi e será contra qualquer tipo de discriminação causada por diferenças ideológicas, crença, raça ou gênero, possuímos uma história constituída pela responsabilidade, respeito, transparência e muito trabalho." "O Brusque FC tomará todas as medidas cabíveis diante do ocorrido e vai apurar os fatos", informou o clube.

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