Técnico negou insatisfação com as saídas de Felipe Vieira e Luquinha: “Se eu estivesse no lugar do jogador, eu gostaria de ser vendido”
Técnico negou insatisfação com as saídas de Felipe Vieira e Luquinha: “Se eu estivesse no lugar do jogador, eu gostaria de ser vendido” | Foto: Marcos Zanutto

A campanha do Londrina nas oito primeiras rodadas da Série B é a melhor da história do clube desde a volta a essa divisão do Campeonato Brasileiro, em 2016. O LEC conquistou 16 pontos, com cinco vitórias, um empate e duas derrotas. O aproveitamento de 66% deixou o time em terceiro lugar na classificação.

Em entrevista exclusiva à FOLHA, o técnico Alemão fez um balanço positivo deste início de competição e projetou a sequência da competição com o time entre os primeiros. “Se pegarmos alguns excelentes jogos que fizemos contra times de ponta, isso nos dá muita esperança”, afirmou. A Série B só volta a ser disputada em julho, após a realização da Copa América.

O treinador falou ainda sobre a saída de alguns jogadores importantes e a chegada de reforços e garantiu que não há nenhuma rusga no seu relacionamento com o atacante Dagoberto, que acabou de anunciar que deixa os gramados no fim do ano: “Ele é um grande profissional, que tem todo o meu respeito e admiração”.

Qual o balanço desta primeira parte da Série B?

O balanço é muito bom e os números mostram isso. São números muito expressivos dentro de uma competição muito equilibrada. E nestes oito jogos enfrentamos quatro ou cinco times que estão brigando na parte de cima da tabela, times muito qualificados. Tivemos alguns momentos não tão bons assim, mas na maioria foram momentos bons, tanto que a nossa porcentagem é alta. Dentro desta primeira etapa, até superou as nossas expectativas de uma forma boa, construímos até uma certa gordura para algumas derrotas, como foi diante da Ponte Preta. É muito positivo o saldo, mas sempre com um sinal de alerta ligado para que a gente possa evoluir, que os erros que tivemos em alguns jogos possam ser minimizados para não nos prejudicar lá na frente. Todos nós entendemos que temos algumas limitações, mas muitos méritos, então é manter a tranquilidade, o trabalho e a evolução da equipe. Esta parada é boa para dar uma refrescada para todo mundo, para a gente voltar com alguns jogadores que estavam lesionados, com um tempo bom de recuperação para que a gente volte com todo o plantel forte.

Na sua visão, a manutenção de um estilo de jogo foi fundamental para esta boa campanha?

Eu acho que sim. No entendimento dos jogadores, é um jeito fácil de jogar, tranquilo, mas com objetividade. O Londrina é um time objetivo, mas seguro. Esta forma de jogar foi o segredo da gente ter este bom desempenho e espero que a gente continue assim. Jogando simples, mas com muita objetividade e tendo bons resultados.

Muitas equipes vão contratar e se reforçar nesta parada para a Copa América. Você acredita que o campeonato vai mudar a partir da retomada, em julho?

Acredito que o equilíbrio vai continuar. Certamente haverá equipes que vão subir e outras que vão cair. Neste momento da competição no ano passado, o Goiás tinha dois pontos e no fim acabou subindo. O equilíbrio dos jogos vai continuar o mesmo. Haverá troca de treinadores e saída e chegada de jogadores. Nós estamos atentos a todas as nossas necessidades, ao trabalho do grupo, para que se mantenha forte a nossa característica de jogo. Mesmo os que vão chegar, para que eles se adaptem ao que vem dando certo.

Este grupo tem potencial para manter a campanha e a posição entre os primeiros até o final?

Eu costumo fazer comparativos. Se pegarmos alguns excelentes jogos que nós fizemos contra times de ponta, em nível nacional, dá esta esperança. Lógico que uma equipe um pouco mais jovem, como a nossa, tem algumas oscilações. A preocupação é para que eles possam se manter firmes. Nós temos um elenco bom, pode ser que saiam alguns jogadores, mas aí chegarão outros, na mesma característica, para termos um elenco, porque o campeonato realmente exige, com as contusões, com as expulsões, tem que ter jogadores do mesmo nível para substituí-los.

Jogadores como Luquinha e Felipe Vieira, que foram revelados e levados ao time principal por você, agora estão de saída. Você fica mais chateado pela perda de duas peças importantes no seu esquema ou feliz pela negociação dos atletas?

Eu acho que um clube como o Londrina visa muito a questão da venda de jogadores, porque é onde entra mais dinheiro. Ele forma, gasta e precisa recuperar o investimento, então é um processo natural. Se eu estivesse no lugar do jogador, eu gostaria de ser vendido. Não pelo Londrina em si, mas pela projeção futura financeira, porque é uma carreira curta, que passa rápido, e o jogador tem que aproveitar o melhor momento dele para construir uma vida. Um jogador carrega muita gente por trás dele. De uma família pobre, quando ele ganha dinheiro, ele sustenta o pai, a mãe, os irmãos. Ele consegue dar uma condição de vida muito melhor para a família. Então, todo jogador que se destaca e tem a possibilidade de ser vendido para uma situação melhor, vai ser bom para o jogador e para o clube. E a saída dele abre novas portas, possibilidades para jogadores diferentes. Entram dois, três jogadores com espírito diferente, com força de buscar algo novo. O futebol é assim. Mudam-se as peças, mas segue com o mesmo objetivo.

Você sempre bateu na tecla da importância da volta do torcedor ao estádio para abraçar o time. Nos últimos jogos, o time teve bons públicos no Café. Qual a sua sensação agora?

Estou muito feliz. No jogo contra a Ponte Preta, eu olhei para a arquibancada em alguns momentos do jogo e vi que estava cheia. E pensei que devia ter mais de 7, 8 mil pessoas e depois fiquei sabendo que tinha mais de 9 mil. E o que o torcedor tem feito nos jogos é aplaudir mesmo na derrota, como foi contra a Ponte Preta, porque viu a vontade e a garra dos jogadores. Houve, sim, algumas limitações dentro da partida, algumas faltas, mas eles viram que é um time que busca a vitória, que veste realmente a camisa com amor e carinho. E o Londrina sem a torcida não é o Londrina. E a torcida sem o clube também não é nada. Um completa o outro e a diretoria também está sendo inteligente em fazer preços mais acessíveis no ingresso e imagino que ela (política de preços) vai continuar. Espero que sim, porque é bom para todo mundo. Uma relação muito bacana, e espero que a gente continue desta forma no próximo jogo em casa. Nem sempre a gente vai ganhar, vamos perder também, mas com eles a chance de nós ganharmos é muito maior.

O Dagoberto ainda não conseguiu ter uma sequência de jogos, em razão de vários problemas físicos. O jogador chegou a publicar nas suas redes sociais que estava na “ponta dos cascos”, mas depois pediu para não jogar contra a Ponte Preta por entender que não estava bem fisicamente. Houve algum estremecimento na sua relação com ele neste período?

Não houve. O que houve foi uma informação que eu dei e que recebi do departamento médico e ele ficou chateado. Fez uma publicação um pouco infeliz e gerou uma certa falação. Eu tenho um respeito muito grande por ele, eu joguei com o Dagoberto um torneio pelo Athletico. Ele era um menino ainda, mas de muito potencial, tanto é que foi campeão do que foi. É um menino de família, pai de família, um profissional bem sucedido. Eu tenho um respeito muito grande pelo Dagoberto, assim como tenho pelo Germano, Silvio, que são os caras mais velhos do elenco e são grandes profissionais. Eu tenho certeza de que o Dagoberto vai nos ajudar, porque ele é diferente, dentro do campo, a batida dele, a bola dele, a visão de jogo, ele é diferente. Nós precisamos dele bem, feliz, alegre. Um cara de potencial incrível, e não tem nada. Nós tivemos uma conversa muito boa novamente antes do jogo contra a Ponte e eu o chamei no CT. Ele também não estava se sentindo bem, disse que não se sentiu tão confortável no jogo, com medo de se machucar. E nós sentamos e conversamos para que ele a partir do dia 18 venha fazer os trabalhos que precisam ser feitos. Enquanto isso, ele está fazendo o trabalho extra na clínica em Maringá. Tenho certeza de que no jogo de Ponta Grossa (contra o Operário, o primeiro na retomada da Série B) ele estará apto a jogar, não sei se será titular ou vai entrar depois, isso é consequência. Ele é um grande profissional que tem todo o meu respeito e admiração, e espero que a gente seja feliz juntos no fim do ano, com o Londrina na Série A.

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