Café ou VGD? Mesmo com lucro de milhão, Londrina não tem dúvida
Retorno ao estádio da área central nunca foi uma questão para a SAF, que reúne motivos para a volta
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de março de 2026
Retorno ao estádio da área central nunca foi uma questão para a SAF, que reúne motivos para a volta

O Londrina avaliou positivamente o apoio do público nos jogos realizados no estádio do Café durante o Campeonato Paranaense. As bilheterias dos dois confrontos decisivos foram expressivas e agradaram: na semifinal contra o Athletico Paranaense, a renda líquida foi de R$ 251.960,88; na final diante do Operário, o valor alcançou R$ 760.561,36. Somados, os jogos renderam R$ 1.012.252 ao Londrina.
Nestas partidas, inclusive, o público superou a capacidade atual do Vitorino Gonçalves Dias. Foram 11.004 presentes contra o Athletico e 19.965 diante do Operário. Mas parou por aí. Todos os outros jogos em casa no Estadual, diante de Operário (1ª fase), Galo Maringá, Cianorte e São Joseense (quartas de final) tiveram públicos abaixo dos 8.017 torcedores que o VGD comporta atualmente.
Apesar dos números expressivos nos jogos decisivos, a SAF entende que, em uma competição de pontos corridos como a Série B, o público não tende a repetir o ambiente dos jogos de mata-mata do Estadual. Por isso, a escolha pela volta ao VGD foi mantida.
O debate entre estádio do Café e VGD existe apenas fora do Londrina Esporte Clube. Internamente, a SAF nunca teve dúvidas: o estádio da área central é a casa alviceleste, e assim será durante a Série B do Campeonato Brasileiro.
Uma parte da torcida defende a permanência no Café pela maior capacidade e pelo conforto de acompanhar os jogos sentado. Outro grupo, porém, sempre apoiou o retorno ao VGD: menor, mais acanhado e com clima de caldeirão, características que marcaram a campanha da Série C em 2025.
O Londrina retorna oficialmente ao VGD na próxima quarta-feira (1º), diante do Goiás, pela 2ª rodada da Série B. A CBF já confirmou o estádio como casa do Tubarão para os próximos jogos.
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Invicto
A expectativa é repetir no VGD o bom desempenho da campanha do acesso na Série C de 2025, quando o time não perdeu: foram 13 jogos, com nove empates e quatro vitórias. Os resultados foram suficientes para garantir o retorno à Série B em 2026. Assim, o clube volta ao VGD ainda invicto desde a reabertura do estádio, fechado por mais de nove anos até a SAF realizar a reforma dividida em três fases, que vai ultrapassar os R$ 10,5 milhões previstos no acordo de quitação de uma dívida antiga com a Prefeitura de Londrina.
O peso do gramado
O retorno ao VGD passa diretamente pela instalação do novo gramado, que custou cerca de R$ 700 mil. A responsável pela obra foi a empresa World Sports, que também executou obras e construiu gramados de estádios como Morumbi, Neo Química Arena, Allianz Parque e Arena do Grêmio, onde revitalizou completamente após as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul.
O pedido pela reforma no gramado partiu do departamento de futebol do clube ainda em 2025, com o apoio do então técnico Roger Silva, e foi mantido pelo atual treinador Allan Aal, com apoio integral do elenco. A avaliação é clara: um bom gramado permite que o time entregue um futebol de melhor nível, como ocorreu na vitória por 3 a 1 sobre o Novorizontino na estreia da Série B e na reabertura do VGD, na vitória por 3 a 1 sobre o Ypiranga-RS no ano passado.
Desgaste e queda de rendimento
O VGD manteve bom padrão nas primeiras semanas após a reforma de 2025, mas a rotina de jogos e treinos diários desgastou rapidamente o gramado. Nos três primeiros meses, foram oito jogos, com quatro vitórias e quatro empates. Depois disso, o clube suspendeu o uso do estádio, atuou uma vez no Café contra o Náutico, e só retornou ao VGD no fim de agosto. Apesar do descanso, o piso já estava comprometido, refletindo diretamente no desempenho: cinco jogos e cinco empates até o final da Série C.
Rentabilidade do VGD
Além do gramado, a decisão também é financeira. Levantamento da FOLHA mostrou que, em 2025, o clube arrecadou R$ 1,59 milhão em renda bruta nos jogos do VGD pela Série C. Mesmo ficando apenas com 21% do total, lucro de R$ 334,6 mil, o valor superou amplamente 2024, quando o Café rendeu o bruto de R$ 670,7 mil e o LEC fechou a temporada com prejuízo de R$ 139 mil na Série C. O salto foi de 340%, consolidando o VGD como opção mais rentável ao clube na média da temporada.


Matheus Camargo
Repórter de Esportes, com foco no Londrina Esporte Clube.





