André Dias marcou a história do LEC com passagem meteórica
Goleiro, que morreu nesta segunda-feira (9), foi herói contra o Athletico e titular na decisão contra o União Bandeirante
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terça-feira, 10 de junho de 2025
Goleiro, que morreu nesta segunda-feira (9), foi herói contra o Athletico e titular na decisão contra o União Bandeirante
Matheus Camargo 

O ex-goleiro André Dias morreu em Sorocaba (SP) na segunda-feira (9), aos 56 anos, vítima de complicações de uma obstrução intestinal, e pegou familiares e amigos de surpresa. Foram os casos de ex-companheiros de Londrina Esporte Clube, que foram ouvidos pela reportagem da FOLHA e admitiram o choque com a notícia sobre André.
“Um mês atrás, ele me ligou. Ficamos quase uma hora no telefone, falando sobre o futuro. Conversamos bastante, falamos sobre essa nova fase da vida. Fui surpreendido com essa notícia triste. Fica o legado de um cara fantástico, humilde”, disse Bira Melo, goleiro do Londrina em 1992.
“Um grande goleiro, um grande preparador, auxiliar. Me deixa saudades. Era um irmão, chorei muito. Foi um dia muito triste para mim. Era um vínculo muito grande. Éramos rivais no campo, mas irmãos no coração”, seguiu.
“Foi uma pena mesmo isso, fui pego de surpresa. Era um cara que estava trabalhando, na ativa”, lamentou Márcio Alcântara, zagueiro e capitão do LEC no título estadual daquele ano, fala corroborada por Aldivino Generoso, supervisor do LEC naquele ano.
“Muito precoce, muito novo, ex-atleta. É muito triste falar dele neste momento, era muito novo. Mas é o destino. Senti muito a perda, tinha boas lembranças dele, tinha um comportamento exemplar”, afirmou o ex-dirigente.
“JOGAVA PELO TIME”
André Dias estava no projeto do Maccabi Holambra, no interior de São Paulo, clube que tinha parceria com o Paulista-SP. Com isso, o ex-goleiro assumiu recentemente o comando técnico da base da equipe de Jundiaí. Antes, foi preparador de goleiros e auxiliar técnico de equipes como Sport, Ponte Preta, Remo, e do próprio Londrina, em 2019.
“Foi uma amizade muito grande. Nos conhecemos quando ele veio para o Londrina, e eu era da base e depois fui para o profissional. Com a saída do Carlão, o Londrina precisava de mais um goleiro e trouxe o André”, relembrou Bira sobre a chegada do goleiro da Ponte Preta. O então goleiro da base começou o Paranaense de 1992 como titular, já que André precisou de recondicionamento físico antes de entrar na equipe.
“Joguei a preparação, e no início do campeonato fui escolhido pelo Varlei (de Carvalho, técnico) como titular. Com o decorrer do campeonato, ele entrou em forma e aí começou uma briga boa, saudável. Nós nos concentrávamos juntos, no mesmo quarto. A amizade cresceu”, destacou o ex-arqueiro do Tubarão. A importância de André Dias foi reforçada por Aldivino.
“Montei o time e fui buscá-lo na Ponte Preta. Nos interessamos por ele, e deu certo. Todos eles queriam muito aquele objetivo (o título). A disputa era boa, e ele e o Bira tinham uma amizade muito bonita. Se davam muito bem. Foi assim o tempo todo. Você sabe como é o futebol, tem quem joga pelo time, e tem quem não joga. Ele estava sempre pelo grupo”, destacou o ex-dirigente.
“O André foi muito importante. O Varlei fazia o revezamento dos goleiros com o Bira, os dois eram considerados titulares, e esse revezamento fez com que ele tivesse condições nos jogos finais. Contra o Athletico, então, nem se fala, na semifinal. Ele teve uma atuação decisiva”, relembrou o capitão Márcio.

DECISIVO CONTRA O ATHETICO
A semifinal contra o Athletico Paranaense foi o ápice de chave de André Dias no Londrina. Importante na vitória por 3 a 1 no jogo de ida, no estádio do Café, o goleiro também fez defesas importantes no jogo de volta, no Pinheirão, na derrota por 2 a 0, especialmente na prorrogação. Para coroar a jornada, defendeu o pênalti cobrado pelo zagueiro Roberson, que fechou a série de penalidades, levando o LEC à decisão em três jogos contra o União Bandeirante.
“Foi nosso principal jogador nas finais, tanto na semifinal contra o Athletico, quanto na final contra o União Bandeirante. Foi o mais justo para a conquista o André ter jogado. Se firmou no momento certo, importantíssimo na nossa conquista. Defendeu pênalti, fez uma defesa incrível contra o Athletico, depois contra o União. Nos três jogos foi bem, nos salvou em vários momentos”, opinou Bira sobre o ex-companheiro.
“Ele teve uma participação expressiva. Todos tiveram momentos de decisão, e, quando eu não estive em campo, o André também era um capitão. Falava bastante, orientava muito. A passagem dele foi significativa, representativa para o Londrina”, destacou Márcio, que não esteve em campo no terceiro jogo da final contra o União Bandeirante por ter levado o terceiro cartão amarelo na partida anterior.
André Dias deixou o LEC no fim daquela temporada e foi para o ABC, onde foi campeão potiguar. Ele ainda defendeu Ponte Preta, Bragantino e Vila Nova.



