O Londrina está prestes a iniciar uma das etapas mais importantes de sua nova fase sob o comando da Squadra Sports, que adquiriu 90% da SAF do clube em 2024. A empresa, liderada por Guilherme Bellintani, prepara o início das obras do primeiro centro de treinamentos próprio do LEC, considerado o pilar estrutural do projeto de modernização do futebol alviceleste.

O investimento total será de R$ 17 milhões, dividido em três fases ao longo de cinco anos. A previsão é que a primeira etapa seja concluída já no primeiro semestre de 2026. Segundo apuração da FOLHA, o Londrina pretende iniciar as obras ainda em novembro, assim que forem finalizados os trâmites burocráticos e a aprovação dos projetos arquitetônicos. Caso ocorra algum atraso, o prazo limite para o início é o começo de dezembro.

O CT será construído em um terreno de 105 mil m², localizado na estrada da Cegonha, zona sul da cidade. A área foi adquirida pela Squadra Sports e simboliza o início de uma nova fase de autonomia para o clube, que nunca teve um espaço próprio para treinamentos. O Londrina tem treinado no estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD) nos últimos meses.

A primeira fase das obras inclui a construção de dois campos de futebol e de um prédio principal, que abrigará os vestiários do futebol profissional e da base, além de academia, refeitório e departamento médico. As etapas seguintes contemplam mais quatro campos, a área administrativa e de imprensa, além dos alojamentos para atletas.

“Infraestrutura é fundamental, tanto para a base quanto para o profissional. Ter sua casa faz com que o clube se desenvolva da melhor forma possível. Fazer futebol em médio prazo sem um CT adequado é impossível”, afirmou Bellintani, durante o evento CFUT Noronha 2025, em painel sobre o futuro das SAFs no Brasil.

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Organização financeira da SAF

No mesmo evento, o empresário detalhou como está estruturada a gestão financeira da Squadra Sports no Londrina. Segundo ele, o projeto é dividido em três blocos de investimento: o primeiro voltado ao pagamento de dívidas da associação, o segundo à infraestrutura, e o terceiro à cobertura do déficit operacional do clube, que deve ser zerado até 2026, com o retorno do time à Série B.

“Quando comprei o Londrina, o clube não tinha nem centro de treinamento. Comprei o terreno agora e vou começar a construir o CT. Então, temos um investimento em dívida, outro em infraestrutura, e o terceiro é o prejuízo operacional que o clube dá ano a ano. Isso acontece porque se gasta mais com salários do que se arrecada com direitos de TV, venda de camisas e outras receitas”, explicou.

Bellintani afirmou que o objetivo é equilibrar as contas já em 2026, ano em que o Londrina deve ter cerca de R$ 25 milhões de orçamento. “Estando na Série B, só posso gastar o que arrecadar. Se gastar mais do que arrecado, o clube nunca vai ser lucrativo, e eu não tenho dinheiro para bancar prejuízo ano após ano. Enquanto estava na Série C, aceitava o déficit, mas agora é diferente”, pontuou.

O dirigente destacou ainda que os valores investidos no pagamento das dívidas e na construção do CT não fazem parte do orçamento anual. “O que fica fora desses R$ 25 milhões é o dinheiro das dívidas, que estou colocando do meu bolso, e o valor do centro de treinamento. Quando eu terminar de pagar esses dois e o clube ficar equilibrado, eu paro de colocar dinheiro”, reforçou.

A meta da Squadra é atingir o equilíbrio financeiro e estrutural em 2029, encerrando o ciclo de investimentos obrigatórios. “Em 2029, quero ter terminado de pagar as dívidas, concluído a construção da infraestrutura e deixado o clube no zero a zero. A partir daí, qualquer jogador que vendermos será lucro”, disse Bellintani.

Apesar do planejamento de longo prazo, o empresário reiterou que o Londrina não vive de promessas futuras, mas de execução concreta. E, para isso, os recursos provenientes da venda de atletas serão totalmente reinvestidos na estrutura. “Venda de jogador é venda de ativo, não é receita corrente. Se neste ano eu vender R$ 5 milhões em jogadores, vou pegar esse valor e investir no CT com ele”, completou.

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