Londrina e seus homens de preto
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sábado, 21 de abril de 2007
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Falar que Londrina é um celeiro de bons jogadores é ''chover no molhado''. Mas falar que a cidade está dando ao futebol também bons árbitros pode ser uma surpresa. A nova e a velha geração dos ''homens de preto'' da região conseguem conquistar espaço no concorrido mercado do apito brasileiro. Com um árbitro no quadro da Fifa, um outro e mais um auxiliar no quadro da CBF, Londrina já é referência no Estado.
Da cidade, saiu o presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paranaense de Futebol (FPF), Afonso Vitor de Oliveira. Um dos principais árbitros do Brasil na atualidade, Héber Roberto Lopes, que integra o seleto quadro da Fifa, também é pé-vermelho. A lista dos emergentes é encabeçada por Antonio Denival de Moraes. Entre os auxiliares, Gilson Bento Coutinho está entre os melhores do País.
A identificação dos londrinenses com a mais polêmica das atividades do esporte não é de agora. Desde a década de 70 os árbitros da cidade estão no topo. O próprio Oliveira é um exemplo. Ele apitou de 1971 a 95 e largou o apito em competições profissionais apenas aos 52 anos - hoje o limite de idade é de 45 anos. ''Na minha época, Londrina era ainda mais forte na questão da arbitragem'', comparou, lembrando dos principais colegas da época. ''Tinha ainda Amir Rodrigues de Oliveira, o Edson Romeno''.
Estrela do apito paranaense, Héber classificou Londrina como a grande força do Estado no quesito. ''Londrina é uma referência. Curitiba tinha grandes árbitros, mas hoje o interior tem mais opções e Londrina já provou que é um celeiro'', disse. ''Tivemos grandes nomes no passado e hoje temos o Denival e o Gilson fazendo grandes trabalhos tanto no Paraná como nas competições nacionais'', apontou.
Um dos motivos apontados pelos próprios árbitros para justificar o nível dos apitadores londrinenses é a quantidade de campeonatos amadores disputados na cidade que, diz a lenda, é a precursora no futebol suíço, onde a maioria dos árbitros dão seus primeiros cartões e as mães recebem os primeiros ''elogios'' vindos da profissão do filho.
''O interior do Paraná sempre revelou mais árbitros do que Curitiba, principalmente Londrina. Isso se deve até pela quantidade de campeonatos na região'', apontou Antonio Denival de Moraes, 37 anos, a bola da vez do apito paranaense, atrás apenas de Héber e do gaúcho radicado em Cascavel Evandro Rogério Roman. ''O amadorismo da nossa região valoriza a arbitragem local. Temos grandes competições tanto de futebol de campo como de suíço, nos clubes, que mantêm os árbitros daqui em atividade constantemente e os preparam'', completou Héber.
Já o presidente da Comissão de Arbitragem prefere ressaltar outros fatores. ''A aplicação deles, o cuidado que estão tendo com o aprimoramento e a vocação. Ninguém consegue ser árbitro sem vocação'', classificou Oliveira.
Incentivo - A amizade entre os árbitros locais é outro fator que fortalece a categoria. Um incentiva o outro todos espelhados em Héber, a estrela do apito paranaense.
Não existe concorrência. Denival é um exemplo. Mesmo em boa fase e ganhando espaço nacionalmente, ele não deixa de incentivar quem está começando e até mesmo quem ainda não começou. ''Incentivo o pessoal mais jovem porque a arbitragem é apaixonante'', contou.
Um dos árbitros da nova geração apontado pelo presidente da Comissão de Arbitragem paranaense como uma das promessas para o futuro, apita graças ao empurrão de Denival. O ibiporaense Cléber Luís Ludwing, 30 anos, decidiu se inscrever no curso de formação de árbitros após a insistência do colega e não se arrependeu.
Este foi seu primeiro ano na Primeira Divisão. Apitou apenas um jogo, entre Nacional e J. Malucelli, mas já arrancou elogios do chefe. ''Tem um belo futuro'', ressaltou Oliveira. ''Fico contente por ter o trabalho reconhecido'', agradeceu o funcionário público de Ibiporã.


