Londrina e Lusa revivem derby
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sábado, 27 de fevereiro de 1999
Nelson Cilo 
Depois de uma tumultuada semana que serviu para esquentar a rivalidade do clássico local, Portuguesa e Londrina Esporte Clube levam a campo, às 15h30 de hoje, no Estádio do Café, a obrigação de se reabilitar na Série A-2 do Campeonato Paranaense. Ambos estão no Grupo A. A Lusa perdeu na estréia (1 a 0 para o Nacional, em Rolândia) e o Londrina ficou no empate sem gols, diante do Arapongas, no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD). As duas equipes voltam a se enfrentar 40 anos depois do primeiro derby disputado na cidade, em 1959.
De um lado e de outro, ninguém admite uma derrota, que poderia complicar a campanha de duas equipes, que buscam auto-afirmação na segundona paranaense. A Lusa manteve a base da última temporada, mas o adversário, bastante renovado, ainda procura se reforçar.
No Londrina, é como se o técnico Paulo Comelli participasse de uma espécie de jogo de xadrez estimulado pelo treinador da Lusa, Lívio Vieira, que guarda o time a sete chaves para divulgá-lo apenas nos vestiários.
Comelli também esconde a escalação e não confirma nem mesmo a quase certa presença do estreante Alex (emprestado pelo Palmeiras) ao lado de Aléssio no ataque. Luciano seria uma opção. Aparentemente, porém, o principal quebra-cabeças estaria no meio-de-campo: Marco Antonio (o mais cotado), Márcio Paulino, Amarildo (ex-Matsubara) e Rosinei disputam uma vaga. Mesmo contundido - não se recuperou totalmente de uma forte pancada na perna - o criativo meia Humberto completa o setor, a exemplo de Jefferson e Tião.
Na Lusa, Lívio parece transformar a ausência do zagueiro Alemão, suspenso, num bom pretexto para aumentar o clima de mistério. Dizem que o Oscavo é mais experiente, mas eu vejo muitas qualidades no Acácio, disfarça o treinador da Lusa.
Outro dilema de Lívio é escolher Marquinhos Santos ou Givanildo para a lateral-esquerda. Às vezes, o Marquinhos vê duas bolas. Não é nada sério, mas é um problema que vai e volta. Farei mais alguns exames. É possível que ele melhore depressa, revela o médico César Parreira. É verdade: vejo duas bolas ou duplas figuras, mas nunca dei uma furada. Já me acostumei, jura Marquinhos Santos, que se revelou no Londrina e defendeu muitos clubes do País, inclusive o Botafogo, onde foi campeão carioca de 89.
Oséias tem lugar assegurado no meio-campo, mas Lívio não conta se põe Herivélter ou Beto e Amaro ou Herivélter no quadrado. É claro que eu tenho meu time na cabeça, mas isso não importa. Faz parte do show, assume Lívio, que admite todos os ingredientes possíveis para promover o espetáculo, menos a hipótese de colocar mais lenha na fogueira da guerrinha particular protagonizada pelos cartolas. Lembrei aos meus jogadores que vamos disputar o derby de nossas vidas. Vencer o Londrina é sempre mais gostoso.
Comelli praticamente repete as palavras de Lívio. Segundo ele, as duas equipes vivem idênticas situações e precisam reagir no campeonato. O disque-disque não nos interessa. Vamos nos isolar das intrigas. Só quero que os torcedores vejam um bom jogo. Confio mais no Londrina, claro. Vamos em busca da vitória.
Lívio e Comelli desarmam espíritos e espantam os maus fluidos, mas o diretor Amarildo Vieira manda um recado aos rivais: a Lusa, como mandante, vai ocupar o vestiário de número um. Segundo ele, o Londrina irá ficar nos vestiários dois ou três, reservados aos visitantes.
Os torcedores que quiserem comprar ingressos (a R$ 4,00 contra os R$ 5,00 das bilheterias) podem fazê-lo até as 12 horas deste domingo. As numeradas custam R$ 10,00. A Lusa não aceitará bilhetes contidos no kit vendido aos torcedores do Londrina.
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