Depois de uma tumultuada semana que serviu para esquentar a rivalidade do clássico local, Portuguesa e Londrina Esporte Clube levam a campo, às 15h30 de hoje, no Estádio do Café, a obrigação de se reabilitar na Série A-2 do Campeonato Paranaense. Ambos estão no Grupo A. A Lusa perdeu na estréia (1 a 0 para o Nacional, em Rolândia) e o Londrina ficou no empate sem gols, diante do Arapongas, no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD). As duas equipes voltam a se enfrentar 40 anos depois do primeiro derby disputado na cidade, em 1959.
De um lado e de outro, ninguém admite uma derrota, que poderia complicar a campanha de duas equipes, que buscam auto-afirmação na segundona paranaense. A Lusa manteve a base da última temporada, mas o adversário, bastante renovado, ainda procura se reforçar.
No Londrina, é como se o técnico Paulo Comelli participasse de uma espécie de jogo de xadrez estimulado pelo treinador da Lusa, Lívio Vieira, que guarda o time ‘a sete chaves’ para divulgá-lo apenas nos vestiários.
Comelli também esconde a escalação e não confirma nem mesmo a quase certa presença do estreante Alex (emprestado pelo Palmeiras) ao lado de Aléssio no ataque. Luciano seria uma opção. Aparentemente, porém, o principal quebra-cabeças estaria no meio-de-campo: Marco Antonio (o mais cotado), Márcio Paulino, Amarildo (ex-Matsubara) e Rosinei disputam uma vaga. Mesmo contundido - não se recuperou totalmente de uma forte pancada na perna - o criativo meia Humberto completa o setor, a exemplo de Jefferson e Tião.
Na Lusa, Lívio parece transformar a ausência do zagueiro Alemão, suspenso, num bom pretexto para aumentar o clima de mistério. ‘‘Dizem que o Oscavo é mais experiente, mas eu vejo muitas qualidades no Acácio’’, disfarça o treinador da Lusa.
Outro dilema de Lívio é escolher Marquinhos Santos ou Givanildo para a lateral-esquerda. ‘‘Às vezes, o Marquinhos vê duas bolas. Não é nada sério, mas é um problema que vai e volta. Farei mais alguns exames. É possível que ele melhore depressa’’, revela o médico César Parreira. ‘‘É verdade: vejo duas bolas ou duplas figuras, mas nunca dei uma furada. Já me acostumei’’, jura Marquinhos Santos, que se revelou no Londrina e defendeu muitos clubes do País, inclusive o Botafogo, onde foi campeão carioca de 89.
Oséias tem lugar assegurado no meio-campo, mas Lívio não conta se põe Herivélter ou Beto e Amaro ou Herivélter no ‘quadrado’. ‘‘É claro que eu tenho meu time na cabeça, mas isso não importa. Faz parte do show’’, assume Lívio, que admite todos os ingredientes possíveis para promover o espetáculo, menos a hipótese de colocar mais ‘lenha na fogueira’ da guerrinha particular protagonizada pelos cartolas. ‘‘Lembrei aos meus jogadores que vamos disputar o derby de nossas vidas. Vencer o Londrina é sempre mais gostoso.’’
Comelli praticamente repete as palavras de Lívio. Segundo ele, as duas equipes vivem idênticas situações e precisam reagir no campeonato. ‘‘O disque-disque não nos interessa. Vamos nos isolar das intrigas. Só quero que os torcedores vejam um bom jogo. Confio mais no Londrina, claro. Vamos em busca da vitória.’’
Lívio e Comelli ‘desarmam espíritos’ e ‘espantam os maus fluidos’, mas o diretor Amarildo Vieira manda um recado aos rivais: a Lusa, como mandante, vai ocupar o vestiário de número um. Segundo ele, o Londrina irá ficar nos vestiários ‘dois ou três’, reservados aos visitantes.
Os torcedores que quiserem comprar ingressos (a R$ 4,00 contra os R$ 5,00 das bilheterias) podem fazê-lo até as 12 horas deste domingo. As numeradas custam R$ 10,00. A Lusa não aceitará bilhetes contidos no kit vendido aos torcedores do Londrina.


FICHA TÉCNICA

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