O Londrina demitiu ontem o técnico Paulo Comelli e hoje dispensará cinco jogadores. Foi uma das consequências do empate (1 a 1) diante do Comercial de Cornélio Procópio, anteontem, no Estádio do Café. Val de Mello, dos juniores, assume interinamente o cargo. Até o final da semana, o clube deve anunciar o novo treinador. Já se fala em Livio Vieira (Portuguesa), Itamar Bernardes (Assahi), Marinho (desempregado), Agenor Piccinin (ex-Ponta Grossa) e Joaquim Violim (ex-Cascavel e Toledo). A diretoria não especula nomes. O vice-presidente de futebol Célio Guergoletto admite ampliar para sete o número de dispensas de jogadores. O time se reapresenta hoje, às 9 horas, no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD).
Quanto aos reforços, Guergoletto praticamente confirmou a recontratação do centroavante Luiz Carlos, do São Paulo, que defendeu o Londrina durante a Série B do Brasileiro, ano passado. O lateral Paulinho (ex-Londrina) e os atacantes Silva (Paysandu) e Nildo (ex-Grêmio e Portuguesa-SP) também estão na lista.
Apesar da situação do time na tabela da Série A-2 do Paranaense - segunda colocação no Grupo A, com 13 pontos, contra 17 do líder Arapongas - dirigentes e torcedores cobravam mais regularidade do Londrina. Em oito jogos, Comelli obteve três vitórias e quatro empates, perdendo apenas um. ‘‘Em nenhum momento colocamos em dúvida a competência dele, um dos melhores profissionais que passaram pelo Londrina, mas o futebol é isso... Sentimos que estava na hora de mudar alguma coisa’’, disse Guergoletto.
Comelli abriu mão da multa contratual prevista e dos direitos trabalhistas, que totalizariam R$ 15 mil. Vai receber 42 dias trabalhados. ‘‘Levei em conta as dificuldades do clube. Vou embora sem brigas. Só não pude marcar os gols que perdemos contra o Comercial’’, declarou Comelli, que ontem mesmo recebeu duas propostas: do Corintinha de Presidente Prudente e de uma equipe líder de uma das chaves da segundona paranaense.
Ao se despedir do Londrina, Comelli, habitualmente equilibrado, evitou maiores confrontos. Poupou até mesmo aqueles que queriam interferir na escalação do time ‘para atender aos interesses dos donos (empresários) dos passes de alguns jogadores’. ‘‘Não vou sair atirando... Sou de assumir minhas responsabilidades’’, amenizou o técnico.
Comelli reconhece que as limitações impostas pelo orçamento do Londrina - de R$ 50 mil mensais - o impediram de montar uma equipe mais competitiva. O teto salarial é de R$ 2,5 mil.
Comelli lembra que trouxe, ‘mais na base da amizade’, Jefferson, Eraldo, Humberto e Lélis - os mais caros do grupo, ao lado de Renato, Ivanildo e Aléssio - além de Gilson, Joel e Fabinho Fontes, que já haviam sido dispensados.
A diretoria se encarregou de buscar o zagueiro Freitas e o centroavante Alex, ainda recontrando Nelsinho. Comelli tentou aproveitar vários ex-juniores, a maioria de ‘futuro duvidoso’. ‘‘Penso que a gente deve investir na escolinha e valorizar os pratas-da-casa, mas tem hora pra tudo. Se você não põe um time pegador em campo, haja cobranças de todo mundo...’’
Ontem, depois de almoçar no restaurante Formigão - o médico Marcelo Cichocki e o amigo Edson, solidários, o acompanhavam - Comelli retornou ao hotel onde se hospedava para arrumar as malas. Hoje, segue para Cambará, onde é proprietário de um supermercado. Na próxima semana, vai a São Paulo para participar de um curso internacional de treinadores. Na volta, recomeça a velha rotina. ‘‘Tenho meus negócios particulares, mas não sei viver longe do futebol.’’

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