DE PIRES NA MÃO Londrina cria ‘bolsa’ de jogadores e paga salários Acordo com empresários rende dinheiro para o clube cumprir folha de pagamento Dorico da SilvaACORDO FECHADOO técnico Val de Mello, o presidente Zé Café, os empresários Faissal Jannani e Francisco Simões e o coordenador Guergoletto na reunião Áureo Nogueira De Londrina Depois de vencer um dos seus maiores rivais, o União, domingo, em pleno Estádio Estádio Comendador Luiz Meneghel (1 a 0), o Londrina conseguiu mais uma vitória ontem – fora de campo. Acertou um contrato com um grupo de empresários locais e vai receber R$ 50 mil reais por mês. O acordo foi fechado ontem, em um almoço no Crystal Palace Hotel. Segundo o coordenador-geral do clube, Célio Guergoletto, o acordo prevê a criação de uma bolsa de valores com passes de jogadores. Os investidores serão cotistas da bolsa. Mas a contrapartida inicial do Londrina ainda não está definida. A Planase – empresa de planejamento e assessoria empresarial (a mesma que recentemente fez auditoria contábil) – está elaborando estudos para a definição da bolsa de atletas. ‘‘Inicialmente, devemos ceder um ou mais passes de jogadores no valor de aproximadamente R$ 200 mil. Depois, todos os passes adquiridos pelos investidores serão da bolsa’’, esclareceu o coordenador, adiantando que a ainda nesta semana o grupo de apoio pode contratar mais um zagueiro, um meia e um centroavante. Durante o almoço, os empresários já repassaram ao Londrina a primeira cota de R$ 50 mil. O apoio chegou em boa hora e evitou a abertura de uma crise, pois a diretoria havia prometido pagar os salários de fevereiro na sexta-feira passada e não dispunha dos recursos. O coordenador-geral informou que o dinheiro já foi utilizado para o pagamento dos salários. ‘‘O grupo de apoio chegou na hora exata. Somente a cota da televisão que transmite o campeonato (R$ 114 mil, parcelada em três vezes) não é suficiente para bancar todas as despesas do clube. Agora vamos ganhar o fôlego financeiro necessário para equilibrar o clube.’’ Guergoletto destacou também que, além do reforço de caixa, o contrato com o grupo de apoio é muito importante porque resgata a credibilidade do clube. ‘‘Temos a certeza de que outros empresários vão seguir o mesmo caminho e também investirão no Londrina’’, diz ele, explicando que qualquer um pode investir na bolsa de atletas do Tubarão. ‘‘A cota mínima é de R$ 1 mil e pode ser dividida por várias pessoas.’’ Para Guergoletto, o contrato com o grupo de apoio tem tudo para ser o embrião da transformação do Londrina em um clube-empresa. ‘‘Não temos dúvida de que o Londrina é um excelente produto. Este contrato tem tudo para dar certo, ampliar o número de investidores interessados e transformar o clube em uma sociedade anônima’’, empolga-se o coordenador-geral. O representante do grupo de apoio é o empresário Faissal Jannani, que disse à Folha que o maior interesse dos investidores é contribuir para que o Tubarão seja um time à altura da cidade. ‘‘Nenhum dos empresários visam apenas ao lucro. O principal objetivo é ter um grande time. Afinal, Londrina é a terceira do Sul do País e merece um clube a sua altura.’’

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