Terra que sempre recebeu bem os ''de fora'', Londrina provou ontem durante a nona edição da Prova Pedestre que continua tão hospitaleira quanto desde que surgiu há 75 anos, acanhada no meio da mata fechada. A cidade amanheceu linda, azul, e pronta para receber os mais de 1,4 mil convidados atletas para a festa do esporte que coroa suas celebrações de aniversário. E os grandes vencedores foram os ''estrangeiros'' Paulo Alves, de Parapuã (SP), e Josiane da Silva Cardoso, de Nova Santa Bárbara (PR).
O grande campeão fechou os 10 mil metros cravando 30min52s, cruzando à frente de Adriano Bastos Meneses e Claudemir Aparecido Cardoso. O atleta comemorou em dobro porque já havia vencido em Londrina a primeira edição da prova. ''Fui campeão na estreia, no outro ano cheguei em terceiro, me ausentei nos outros anos e agora retornei para vencer novamente'', celebrou. O experiente corredor que já foi terceiro na São Silvestre, a mais tradicional corrida do Brasil, confidenciou que gosta muito de correr na cidade porque sente como se estivesse ''brincando no quintal de casa''.
Inspirada pelo pódio conquistado pelo marido Claudemir, no feminino não teve para ninguém: a paranaense Josiane, do Norte Pioneiro, correu a prova em 37min6s e faturou a primeira colocação. ''Me senti bem a prova toda, coloquei um ritmo forte e venci. É uma honra correr em Londrina em comemoração ao aniversário e o primeiro lugar foi um presente'', comemorou. Mas ainda havia um outro segredo sobre a atleta. Sua mãe, Maria de Fátima Lopes Araújo, não arreda o pé da linha de chegada e quase sempre vê a filha renovar o orgulho da família cruzando nas primeiras colocações. ''Eu fico muito nervosa, tensa, mas ela sempre faz bonito'', falou a mãe toda orgulhosa.
Os ''estrangeiros'' também fizeram bonito nas categorias mais jovens. Com 16 anos, o cascavelense Ewerton Sírio Wiesenhutter veio treinar na equipe da FEL/Londrina/Sercomtel há cerca de um ano e ontem viu a vitória bater-lhe no peito pela primeira vez. ''Tinha muita gente forte e eu tive que desossar e forçar o máximo mesmo para vencer'', afirmou o garoto campeão.
Mas nem só quem era de ''elite'' veio participar da festa armada no Lago Igapó. A autônoma Maria Aparecida Celestina, 53 anos, saiu de Mandaguari com um grupo de amigos para participar pela primeira vez da prova. ''Treino todos os dias há três meses, já conquistei resultados na minha categoria e depois que comecei minha saúde é outra coisa'', disse, revelando corre inspirada pela filha Tainá Caroline que, com apenas 10 anos, já foi campeã em duas São Silvestrinha.
A única nota triste da nona edição da prova pedestre foi uma confusão envolvendo atletas de elite que correram os cinco mil metros. Um grupo de corredores fez percurso diferente orientados pela organização da prova e exigiam o pagamento do cachê. ''No primeiro quilômetro, estávamos em um grupo de cinco atletas na frente e a organização mandou a gente virar a direita, sendo que tínhamos que continuar reto. Corremos quase mil metros a mais, voltamos e completamos a prova'', reclamou Fernando Fernandes, que teria ficado em primeiro lugar.
Segundo Eugênio Zaninelli, organizador da prova, houve um acordo para o pagamento dos cinco atletas, já que realmente houve uma falha da organização. ''Assumimos o erro e fizemos um acordo amigável com eles'', finalizou.

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