O Londrina colocou ontem fim à parceria com os empresários Ciro Antônio Rios e Roberto Campi. Além de acertar a não continuidade do contrato até o prazo final em janeiro de 2001, o Londrina também rejeitou uma nova proposta de parceria oferecida pelos empresários que previa o pagamento apenas da dívida tributária do clube no valor de R$ 2 milhões.
Uma reunião ontem à noite entre Ciro Rios, Agostinho Miguel Garrote (presidente em exercício do Londrina) e Antônio Amaral (presidente do Conselho Deliberativo do clube) definiria como seria feita a rescisão. Os empresários reivindicam cerca de R$ 55 mil que teriam investido na montagem do time para a disputa do Módulo Amarelo da Copa João Havelange.
‘‘A parceria não existe mais, pois não há mais ambiente para eles continuarem no Londrina. Tivemos um encontro amigável e ficou claro que ninguém vai executar (na justiça) ninguém’’, explicou Agostinho Garrote, após um reunião de mais de 4 horas com Ciro Rios. O dirigente iria discutir ainda a questão referente à possível dívida do clube para com os empresários. ‘‘Vou tentar encontrar a melhor forma para resolver isso com eles’’, completou ele.
Para Garrote, no entanto, a discussão se o clube deve ou não para os empresários não é sua maior preocupação. ‘‘A questão que me preocupa é pagar as taxas de arbitragem junto à Federação (R$ 13 mil) que pode atrapalhar a vida do Londrina’’, disse ele. Se não quitar a dívida referente às taxas de arbitragem dos três últimos jogos na Copa JH, o clube não poderá renovar o álvara de licença e pode ficar fora do Campeonato Paranaense de 2001.
Garrote justificou ainda a rejeição a uma nova parceira com Rios e Campos. ‘‘Pagar apenas a dívida tributária não vem de encontro às necessidades do Londrina e, por isso, não aceitamos. Todos sabem que o que mais atrapalha a vida do Londrina são as dívidas trabalhistas estimadas em cerca de R$ 1,2 milhão.’’
Ciro Rios confirmou também à Folha o final da parceria. Ele elogiou Antônio Amaral e Agostinho Garrote pela forma cordial como trataram os parceiros e teceu duras críticas ao ex-coordenador-geral Célio Guergoletto e a parte da imprensa. ‘‘Fizemos uma proposta pro Amaral e o Agostinho analisarem e eles ficaram de nos dar uma resposta’’, disse.
O empresário voltou a lembrar o não repasse de R$ 30 mil mensais previsto no contrato que o Londrina deixou cumprir, o que dificultou a montagem de um bom time. Apesar do tom ácido contra Guergoletto e certo setor da imprensa, Rios pregou um tom conciliatório caso o clube não pague o que ele e seu sócio pedem. ‘‘A gente vai achar uma maneira viável de se acertar isso. Não viemos aqui para atrapalhar o Londrina’’, disse ele.
Rios não poupou Célio Guergoletto. ‘‘O Célio detonou a gente mas quem não cumpriu o acordo foi ele. Não lesamos ninguém na cidade. Não sou jogador de baralho, sou empresário e vivo do futebol não de blefe e agiotas’’, disparou.
Falta, agora, colocar no papel os termos da rescisão contratual. Segundo Agostinho Garrote, Antônio Amaral – que é advogado – será o encarregado de cuidar desta tarefa para que a dissolução da parceria seja sacramentada.

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