O vice de futebol do Londrina, Célio Guergoletto, disse à Folha no início da noite de ontem que o clube pode abandonar a semifinal da Copa Paraná, que está disputando contra o Atlético - o primeiro jogo foi em Londrina, com empate de 3 a 3. O segundo está marcado para o dia 24. O dirigente disse que vai pedir à Federação um novo adiamento e, se ela não concordar, e na apresentação da equipe não houver jogadores suficiente, ‘‘vou comunicar a nossa desistência’’.
Guergoletto está em Camboriú, litoral de Santa Catarina. Caso o Londrina desista mesmo, a Federação Paranaense de Futebol deve marcar a final entre Atlético e Maringá já para a próxima semana.
Quem recebeu a imprensa ontem à tarde, para uma entrevista coletiva, foi o empresário Alessandro Victorelli. Ele explicou passo a passo todas as negociações que teve com Guergoletto e o presidente do Conselho Deliberativo, Antonio Amaral. ‘‘Tudo começou após a derrota do Londrina em Brasília, para o Gama. No vôo de retorno, o Célio me procurou para saber do meu interesse em fazer uma parceria com o Londrina. Depois, por várias vezes conversamos, mas de início expliquei que minha empresa não poderia fazer nada e que, como pessoa física, tinha desejo de dar uma ajuda’’, contou.
Depois falou que participou de um projeto com os dois dirigentes, no qual surgiu a idéia de se adquirir uma área de terras que poderia servir como forma de pagamento aos credores do clube. ‘‘Não definimos, naquela oportunidade, qual seria a área. Analisamos algumas e, entre elas, esta área de terra que a imprensa citou, em Cambé. Tanto pode ser ela como uma outra’’, contou Alessandro.
Ele acrescentou que ‘‘o segundo ponto do projeto seria a cotização entre empresários, cujos valores também não ficaram definidos, embora se tenha dito alguns números. O que não pode é administrar o Londrina na atual situação. Fica quase que inviável, até porque não se consegue investidores nessas condições’’, ele acredita.
Alessandro Victorelli lembrou que a SAL (Sociedade dos Amigos do Londrina) tentou administrar com essa dívida - de quase R$ 2 milhões - e não conseguiu. ‘‘É como vender jantar hoje para comprar o almoço de amanhã, ou seja, revelar um garoto e, muito antes dele atingir um nível técnico, vendê-lo, quando o certo seria prepará-lo melhor e vender mais caro. E foi por isso que a SAL não conseguiu administrar’’, diz ele.
Credores e cotistas - Antonio Amaral, que estava em São Paulo ontem (foi para uma audiência como advogado), contou que na próxima semana inicia a negociação com os credores, para saber se eles têm interesse nos terrenos como forma de pagamento. ‘‘Esta poderá ser a nossa saída e acho que se a gente fechar acordo com 80% ou 85% dos credores, vale a pena. Mas espero que tudo dê certo e possamos atingir os 100%.’’

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