Londrina adota silêncio em meio à pior crise da era SAF
Tubarão está oito pontos atrás do primeiro time fora da zona de rebaixamento
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sábado, 29 de agosto de 2026
Tubarão está oito pontos atrás do primeiro time fora da zona de rebaixamento

O Londrina adotou o silêncio após mais uma derrota na Série B do Campeonato Brasileiro. Desde o revés por 2 a 1 para o Ceará, no sábado (22), em Fortaleza, nenhum representante do clube se pronunciou. Também são poucos os registros do dia a dia da equipe nas redes sociais e nos canais oficiais de comunicação. A estratégia é de blindagem no pior momento esportivo da era SAF.
O Londrina soma 21 pontos e ocupa a 18ª colocação da Série B, a 14 rodadas do fim da competição. A equipe está oito pontos atrás do Avaí, primeiro time fora da zona de rebaixamento, com 29 pontos. O clube catarinense, porém, vive momento de ascensão.
O cenário fica ainda mais complicado diante do próximo compromisso. Na terça-feira (1º), às 19h30, o Londrina recebe o Juventude, líder da competição, no Vitorino Gonçalves Dias (VGD).
Após a derrota no Castelão, o técnico Rogério Micale reconheceu o momento ruim e afirmou acreditar em uma reação. Poucos jogadores que passaram pela zona mista, porém, concederam entrevistas. Desde então, o clube não se manifestou publicamente.
Nas redes sociais, o Londrina tem publicado basicamente conteúdos previamente programados, acompanhados de imagens dos treinamentos no VGD e nos campos do CT da SM Sports.
“Achei que nem treinavam, porque, se treinando estão ruins, imagina se não treinassem”, escreveu um torcedor. “Muita foto de treinamento para nada”, comentou outro. Houve ainda quem cobrasse diretamente o presidente da SAF, Guilherme Bellintani: “Procura-se Guilherme Bellintani, desaparecido há quatro meses”. A ausência do mandatário se tornou um dos principais alvos das críticas. Bellintani não vem a Londrina desde o fim de abril.
O Londrina também está sem um CEO da SAF. Armando Chekerdemian, que ocupava o cargo, foi demitido há quase dois meses e ainda não houve definição de um substituto.
Na prática, as decisões do futebol em Londrina têm ficado sob responsabilidade do executivo Lucas Magalhães. Os demais integrantes da diretoria da Squadra Sports, empresa responsável pela SAF, participam de discussões e reuniões de forma virtual para definir os próximos passos do clube.

Crise
Desde a chegada da SAF ao Londrina, oficializada em junho de 2024, esta é a primeira grande crise enfrentada pelo clube. Naquele ano, ainda em um período de transição e mudança de gestão, o time disputava a Série C e ficou perto do acesso. Houve algumas críticas ao final da temporada, mas também compreensão por parte da torcida diante do processo de transição.
Em 2025, a campanha na Série C mudou o ambiente. O Londrina terminou a primeira fase entre os quatro primeiros colocados e manteve a liderança durante todo o quadrangular decisivo do acesso. A conquista da vaga na Série B levou a torcida a fazer uma grande festa. Nem a derrota para a Ponte Preta na decisão da Série C foi capaz de diminuir a euforia pelo retorno à segunda divisão nacional.
Em 2026, a expectativa para a Série B aumentou após uma campanha consistente no Campeonato Paranaense, que teve como ponto alto a vitória histórica por 1 a 0 sobre o Athletico, na Arena da Baixada.
A derrota nos pênaltis para o Operário na decisão estadual, contudo, foi o primeiro golpe na temporada. Duas semanas depois, a eliminação para o mesmo Operário na Copa do Brasil aprofundou a crise. O ambiente só melhorou brevemente durante a Série B, quando o atacante Bruno Santos assumiu protagonismo e ajudou o time a deixar momentaneamente a zona de rebaixamento.
A saída do camisa 9 para o Mirassol, porém, coincidiu com a sequência atual de oito partidas sem vitória. O resultado é uma crise que se prolonga e evidencia o desgaste na relação entre a gestão da SAF e a torcida, que havia estabelecido um forte vínculo de confiança com o projeto após o acesso do ano passado.


Matheus Camargo
Repórter de Esportes, com foco no Londrina Esporte Clube.


