Lola será vendida para sua maior concorrente
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quarta-feira, 02 de julho de 1997
José Emílio Aguiar Agência Estado 
A Lola Cars Ltd., maior fábrica de carros de corrida do mundo, deverá ser vendida no fim do ano para a sua maior concorrente, a Reynard, ou para Tom Walkinshaw, dono da TWR. A Lola fracassou no projeto de voltar à F- 1, acumulou dívidas de US$ 9,6 milhões e está sob a intervenção de credores na Inglaterra. A troca de carro de André Ribeiro na F-Indy pode ter sido o golpe final na empresa.
A equipe Tasman era a única com capacidade técnica para recuperar o projeto da Lola na Indy. Depois que André Ribeiro anunciou que usará Reynard, a Lola ficou apenas com quatro pilotos na categoria: Richie Hearn, da Della Penna; Christian Danner, da Payton-Coyne; Arnd Meier, da Project Indy; e Adrian Fernandez, da Tasman. Nenhum deles tem habilidade ou recursos para tornar o carro competitivo.
A Lola perderá o mercado da Indy, que era o mais rentável até a chegada da Reynard à categoria, em 94. Como a divisão de F-1 da fábrica deixou um rombo financeiro, a empresa não terá como recuperar o prejuízo, mesmo com a venda dos chassis de Indy Lights e de F-3000, onde a Lola detém o monopólio.
Os credores assumiram a direção da empresa para garantir que os recursos vindos da Indy Lights e F-3000 sejam para pagar as dívidas. O dono e fundador, Eric Broadley, foi afastado. Desde que criou a fábrica, em 58, ele sempre quis vencer na F-1. Este ano, insistiu num projeto feito às pressas com apoio financeiro incerto. A estréia do carro, na Austrália, foi um vexame: Ricardo Rosset e Vicenzo Sospiri não se classificaram para a largada. O patrocinador, a Mastercard pulou fora do projeto e a Lola ficou com a dívida.
O rombo teria sido absorvido caso o carro de Indy funcionasse. Mas já nos primeiros testes as equipes Patrick e Forsythe notaram os erros do projeto e o abandonaram. Sem dinheiro, a Lola não desenvolveu o carro. A Tasman percebeu o caos e foi a última a deixar o barco. A Lola perdeu a credibilidade na Indy.


