Lobby por sede das Copa de 2018 e 2022 teve festas e pedido de emprego
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sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Folhapress 
São Paulo - A disputa que deu a Rússia e Catar o direito de organizar as Copas do Mundo de 2018 e 2022, respectivamente, teve brindes de US$ 2.000, patrocínio de festas, pedidos de emprego e até empréstimo de um centro de treinamentos para a seleção sub-20 de Trinidad e Tobago.
Todos esses favores e mimos oferecidos ou dados a integrantes do comitê executivo da Fifa, que escolheram em 2010 as sedes dos torneios, estão descritos no relatório divulgado nesta sexta-feira pelo comitê de ética da entidade a respeito da investigação sobre suspeitas de compra de votos no processo.
Apesar de indícios de corrupção apresentados pelo relatório apresentado por Michael Garcia, chefe da câmara de investigação do Comitê de Ética da Fifa, a entidade decidiu manter as sedes dos dois próximos Mundiais a alegação de que não houve "qualquer violação ou quebra de regras e regulamentos" e que as falhas apontadas não são suficientes para macular o processo e obrigar a sua revisão. No entanto, o relatório mostrou indícios de irregularidades ou de comportamento que não deveria ser aceito em pelo menos sete das nove candidaturas que participaram do pleito - apenas as parcerias entre Bélgica/Holanda e Espanha/Portugal não tiveram casos citados.
Abaixo, os lobbies praticados por cada candidatura:
O relatório indica pagamentos feitos pela federação local à Concacaf, aparentemente para o então presidente da entidade, Jack Warner.
A principal ação da candidatura sul-coreana, segundo a investigação, foi enviar cartas para integrantes do comitê executivo da Fifa propondo a criação de um futebol global para o desenvolvimento do futebol e prometendo doar US$ 777 milhões para o programa. O dinheiro seria repassado para as confederações continentais - os presidentes dessas confederações fazem parte do comitê executivo e tinham direito a voto nas eleições.
Segundo o documento, um dos integrantes do comitê executivo da Fifa denunciou que os norte-americanos espalharam rumores de que a China lançaria candidatura para sediar a Copa do Mundo de 2026 para tentar convencer as candidaturas asiáticas a desistir do pleito e também os membros votantes a escolher os EUA como organizadores do torneio em 2022.
O documento informa que a candidatura inglesa gastou US$ 55 mil para patrocinar um jantar de gala da União de Futebol do Caribe, medida que serviria para ganhar o apoio de Jack Warner, então presidente da Concacaf. De olho no mesmo dirigente, cedeu um centro de treinamentos para a seleção sub-20 de Trinidad e Tobago usar em visita à Europa em 2009.
A investigação aponta que o país distribuiu brindes para dirigentes da Fifa e membros do comitê executivo da entidade no valor de até US$ 2 mil cada. Entre os presentes, estavam bolsas, bolas e câmeras digitais.
A candidatura que mais foi atacada pela imprensa internacional apresentou, de acordo com o relatório, pelo menos três pontos preocupantes. Um conglomerado do país financiou um amistoso entre Brasil e Argentina, dois países que tinham cadeira no comitê executivo, em 2010. Além disso, o Catar-2022 pagou US$ 1,8 milhão para ter a exclusividade de expor sua campanha no congresso da Confederação Africana de Futebol de 2010. O documento também cita a compra de votos feita por Mohamed bin Hammam, apoiador da campanha, na eleição presidencial da Fifa de 2011 e insinua que pelo menos um desses negócios poderia estar ligado também ao processo de escolha das sedes.
O relatório lembra que a candidatura bancou viagens de membros do comitê executivo da Fifa, acompanhados de familiares, ao país, o que, no entanto, não fere os estatutos da Fifa.


