Livro vai abordar macumba, 'gatos' e conflitos raciais
Piers Edwards, que já esteve no Brasil sete anos atrás como turista na rota São Paulo-Belém-Manaus, é discreto quanto aos gastos com as viagens para a coleta de dados. Viajando por conta e risco próprios, ele calcula ter gasto cerca de US$ 7 mil. O dinheiro, segundo ele, é uma herança familiar. O jornalista se disse encantado com o Brasil, mas um pouco frustrado por não entender a língua. É um país demasiado grande, onde há muita pobreza e corrupção, ele descreve.
Seu livro abordará outros itens interessantes. A macumba, que é familiar a alguns times brasileiros, é extremamente popular no Quênia, aponta Edwards. Não acredito nisto, mas eles (quenianos) crêem que a magia pode levar à vitória. Tem jogador que até usa objetos femininos no calção para dar sorte, diz, incrédulo, o jornalista.
Nem os chamados gatos (jogador que altera a idade para jogar em categoria inferior) escapará de seu foco. O caso específico refere-se a Gana, já investigada pela Fifa. Edwards abordará também o confronto racial entre Gana e Costa do Marfim, após a vitória da primeira seleção, que resultou na morte de 26 ganenses residentes na Costa do Marfim em conflitos que duraram dois dias. Ele pesquisou ainda os problemas da inédita participação de uma equipe árabe na Liga de Futebol de Israel, em 1995. Problemas raciais e políticos entre judeus e árabes, além da questão financeira, levaram o time à extinção.
(Claudemir Scalone)





