Livro relata trajetórias de brasileiros nas Olimpíadas
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segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Dezessete atletas de Londrina têm as suas trajetórias olímpicas relatadas no livro "Atletas Olímpicos Brasileiros" (Sesi-SP Editora), lançado em agosto e escrito por Katia Rubio, pesquisadora da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da Universidade de São Paulo (USP). A autora esteve na última sexta-feira na cidade em noite de autógrafos.
Nomes como Natália Falavigna, única medalhista olímpica do taekwondo brasileiro, Luciano Pagliarini (ciclismo), Rogério Romero (natação), José Carlos Moreira, o Codó, (atletismo) e as meninas da ginástica rítmica (GR) integram a obra mais completa sobre a participação de todos os atletas brasileiros em Olimpíadas desde 1920, em Antuérpia, na Bélgica, quando o país foi representado pela primeira vez no evento, até 2012, nos Jogos de Londres, na Inglaterra. O livro catalogou informações de 1.796 atletas de modalidades individuais e coletivas.
O material é resultado de 15 anos de estudo e surgiu após a autora, em sua tese de doutorado, escrever o obra "Heróis Olímpicos Brasileiros", que relatou a trajetória dos medalhistas olímpicos, e também "As Mulheres e o Esporte Olímpico Brasileiro". "Em 2007 começamos a elaborar o livro, que tem como objetivo, além de registrar a memória olímpica nacional, entender o que mobiliza esses atletas e o que isso representa para o País", revelou a escritora.
O livro considera ainda alguns atletas de Olimpíadas anteriores a 1920, como Adolphe Christiano Klingelhoeffer, filho de um francês com uma brasileira, e que foi aos Jogos Olímpicos de 1900, em Paris, onde participou de três provas de atletismo, mas que não é reconhecido pelo Comitê Olímpico Brasileiro. Há um registro também da participação de um brasileiro com o pseudônimo de J.A. Alvar numa Olimpíada Cultural, em 1924, realizada em paralelo aos jogos com concursos de literatura e projetos arquitetônicos.
Katia Rubio ressaltou que, até então, não havia registros seguros sobre a participação brasileira em Olimpíadas, nem mesmo nas confederações de cada modalidade e no próprio Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Toda a pesquisa foi feita a partir de depoimentos gravados dos próprios atletas. Dos atletas já falecidos, o levantamento dos dados foi realizado junto a familiares e registros na imprensa.
"Consideramos todos os atletas que chegaram aos Jogos. Mesmo aqueles que foram reservas de equipes como a do atletismo, natação, aqueles que se machucaram depois de classificados, que tiveram problemas de indisciplinas na Vila Olímpica e foram impedidos de competir, até aqueles que tiveram algum problemas com equipamentos ou animais", explicou.
Dividido em 1.796 verbetes biográficos, o livro conta as histórias dos atletas, impressões, análises e informações objetivas sobre os Jogos e os resultados. A pesquisadora revelou ainda que, em muitas casos, a trajetória olímpica deixou um rastro de decepção. "Muitos atletas não quiseram falar, às vezes porque o sonho de participar de uma Olimpíada se tornou um pesadelo. Poucas pessoas têm a dimensão do que é dedicar oito, dez anos da vida para um objetivo e não conseguir alcançá-lo", frisou. "O livro é uma forma de homenageá-los."
A primeira edição do livro tem 5 mil exemplares, sendo que 1.796 estão sendo distribuídos aos atletas ou familiares.


