Buiú não precisava andar muito até o Estádio Municipal de Alvorada do Sul (68 km ao norte de Londrina). Sua casa era quase em frente à praça esportiva, na esquina das ruas Bahia e Israel Silveira. Movido à passadas largas, que anos depois o tornaria famoso, o adolescente chegava ao gramado e era a esperança de muitos marmajos de sair de campo com uma vitória.
Alvorada do Sul já tinha um garoto para reverenciar dentro de campo. E lá foi ele pelos gramados da região. Disputou Copa Norte de amadores e o campeonato da liga amadora de Londrina. Era atacante e dificilmente os 90 minutos se esgotavam sem que ele deixasse uma bola dentro da rede.
Mas não era só nas amplas dimensões de um campo de futebol que Buiú provava seu talento. Ele também era ala (às vezes pivô) dos campeonatos de futsal da cidade e a atração nos campeonatos da Escola Estadual Anastácio Cerezini e do Colégio Estadual 14 de Dezembro (Buiú estudou até o 1Série do Ensino Médio). E o time de Buiú sempre estava na final. Em uma delas, um conterrâneo que morava na capital gostou do seu desempenho e um tempo depois, o admirador o ajudou a abrir as portas do Alto da Glória.
Dos 13 aos 16 anos, a rotina daquele garoto incluía estrada, caminhão, poeira ou lama vermelha, suor, marmita, mais suor, mais caminhão e mais estrada. Talentoso com os pés, Buiú teve que usar as mãos para sobreviver. Colheu algodão, capinou no cafezal, trabalhou em lavoura de soja. A recompensa pela jornada diária na terra fértil: R$ 9,00.
Filho único de empregada doméstica, com pouco contato com o pai (''Nem sei o que ele faz da vida''), Buiú, ou Aparecido Francisco de Lima, começou a desafiar sua dura realidade com ambição.
Chegou a treinar cinco dias no Londrina, não quis ficar (corinthiano, diz que na infância tinha uma simpatia pelo Tubarão). ''Queria jogar em um time maior''. Foi a Porecatu participar de uma peneirada do Guarani campineiro. Foi aprovado, mas o Bugre nunca o procurou. Ele também não fez questão de batalhar por aquela chance. Sabia que viria outras e que não deixaria escapar.
No final de 1999, Buiú desembarcou no Coritiba, o mais tradicional clube do Estado. O técnico Joel Santana foi quem o lançou, com o nome de Lima. No Brasileiro do ano passado, foi o artilheiro do time com oito gols. Este ano espera dar mais um salto na carreira. O treinador Paulo Bonamigo decidiu dar uma chance a ele como meia-ofensivo, posição que mais gosta de jogar. ''Quero me transferir para a Europa, quem sabe a Espanha''. Sua ambição não tem limites. ''Penso em seleção também''.
Mesmo que não chegue lá, Lima já venceu na vida. Mora no centro de Curitiba em um apartamento confortável com a mãe e a esposa Maria Jaqueline (ambas trazidas de Alvorada), que está grávida de quatro meses. Quando chega com seu Palio Weekend em sua terra natal é tratado como rei. Rei que gosta de pescar na Represa de Capivara e rever seus amigos de infância.

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