Ligas e federações em pé de guerra
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Por Livio Oricchio 
São Paulo, 25 (AE) - Uma série de ligas independentes das federações de automobilismo foi formada desde a aprovação da Lei Pelé. A Liga Autônoma de Pilotos de Kart do Rio de Janeiro, associada à Liga Independente de Automobilismo do Brasil, a LIA, liderada pelo ex-piloto Nelson Piquet, é apenas uma dentre as tantas surgidas como opção às competições ditas oficiais, sob supervisão das federações. Desde então, iniciou-se quase que uma guerra dentre as duas facções: a alternativa, representada pelas ligas, e a oficial, sob orientação das federações.
Domingo morreu no improvisado kartódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, o piloto Carlos Alberto Farias, numa competição da liga independente dos kartistas do Estado. Os "legalistas", homens das federações, estão capitalizando com o acidente. "De fato custa um pouco mais caro disputar nossos campeonatos, mas além de serem os únicos reconhecidos pela Confederação Brasileira, oferecem uma série de garantias que as disputas independentes não têm", afirma Rubens Carpinelli, presidente da Federação de Automobilismo de São Paulo. A entidade de São Paulo proibiu os seus federados de participar de qualquer corrida administrada pelas ligas. "Esses pilotos perderão a carteira da federação", afirma Carpinelli.
Carlos Sintra, o Lua, profissional de confiança de Nelson Piquet, fundador da LIA, defende de forma contundente o novo projeto para esse esporte no País: "Querer dizer que a morte do piloto no Rio de Janeiro, domingo, ocorreu por negligência de alguém é canalhice", diz. "Aquilo foi uma fatalidade que poderia acontecer em qualquer lugar." Sobre a punição aos pilotos federados que participarem de provas das ligas, Lua esclarece: "As ligas foram criadas com o amparo da Lei Pelé e têm o mesmo peso hierárquico das federações, o que estão fazendo é ilegal." Para o dirigente, a LIA representa uma proposta nova de administrar as corridas no País. "Tudo evoluiu no esporte, menos a maneira de as federações encararem essas competições, nós chegamos com esse objetivo." Depois conclui: "Estamos provando ser possível fazer um automobilismo mais barato, onde quem sai ganhando é o piloto e não o dirigente."


