São Paulo - Que a mente de alguns cartolas brasileiros é pródiga em buscar mecanismos pouco convencionais para burlar regras e regulamentos preestabelecidos, não chega a ser novidade. Tanto é que nos bastidores do futebol já existe alternativa não só para ''virar a mesa'' e permitir que Palmeiras, Botafogo e Portuguesa joguem contra equipes da elite, mas para fazê-lo com respaldo legal. E o imbróglio não é tão complicado quanto parece.
O centro da questão está na Liga Brasileira de Futebol Profissional, criada pelos clubes que disputam as Séries A, B e C para organizar competições. Porém, no último dia 7, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, assinou a Resolução de Diretoria (RD) nº 7 na qual não reconhece a existência da Liga.
Contudo, como explicou a advogada e assessora do Ministério do Esporte e Turismo, Flávia Goulart Pereira, a RD é nula, pois alega que a condução do registro não foi feita de maneira correta. ''Se fosse assim, os clubes estariam impedidos de participar dos campeonatos'', disse ela, ao ressaltar que o erro de Teixeira foi não ter submetido sua decisão à Assembléia Geral da CBF.
Constata-se, assim, que a existência da Liga independe do consentimento ou não da CBF. ''A CBF não tem condições de acabar com a Liga. São coisas diferentes'', explicou o advogado Heraldo Panhoca. ''O máximo que pode acontecer é a CBF não reconhecer as competições. Mas não pode impedir que a Liga realize seu próprio campeonato.''
A argumentação do advogado é sustentada pelo Artigo 20 da Lei Pelé. Diz o texto: ''As entidades de prática desportiva participantes do Sistema Nacional do Desporto poderão organizar ligas regionais ou nacionais''.
É esse o centro da questão. Se a Liga quiser organizar o campeonato entre seus filiados, poderá incluir os rebaixados Palmeiras, Botafogo e Portuguesa. Como a entidade tem esse direito, seria a forma de reconduzir os times à elite.

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