Lídio fala em convulsão por causas ignoradas
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segunda-feira, 13 de julho de 1998
Agência Folha 
O médico da Seleção Brasileira, Lídio Toledo, afirmou ontem em Lésigny que o atacante Ronaldinho sofreu uma convulsão por causas ignoradas cerca de sete horas antes de entrar em campo para a final da Copa do Mundo contra a França. Após o almoço, ele sofreu uma convulsão que durou cerca de 30 segundos. Depois de atendido, ele dormiu e acordou sentindo-se bem. Mesmo assim, exigi que ele fosse examinado em uma clínica em Paris, onde vários exames foram feitos. Como nada foi constatado, ele foi liberado para jogar.
Toledo negou que Ronaldinho estivesse tomando qualquer medicamento ou que passasse por algum tipo de tratamento. Porém, o jogador admitiu que estava tomando remédios para combater dores até a última sexta-feira. Ronaldinho está com problemas no joelho e no tornozelo. A mais provável hipótese da causa é estresse. Ele é um jogador muito assediado, sob muita pressão e, de alguma forma, acabou sentindo isso no dia da decisão.
Indagado se o diagnóstico oficial da CBF para o caso era convulsão causada por estresse, Toledo recuou. Não. Eu disse que a convulsão foi de causa ignorada. Mas, para os especialistas franceses, ela poderia ter sido provocada por estresse. Isso não é incomum. Já vi vários casos no futebol.
Toledo não chegou a descrever a convulsão, mas afirmou que o jogador perdeu a consciência e chegou a enrolar a língua. Foi assustador para os jogadores, claro, mas não para mim, que sou médico e tenho muita experiência de pronto-socorro.
Segundo o lateral Roberto Carlos, que estava ao lado de Ronaldinho no quarto do Château de Grande Romaine, os dois descansavam no momento da crise. Estávamos vendo TV e o som também estava ligado. Eu também estava lendo uma revista. Quando mostrei uma foto, ele não respondeu, contou o lateral.
Conforme seu relato, Ronaldinho estava estático e suando muito. Roberto Carlos, então, saiu do quarto e encontrou Edmundo, ao qual pediu que chamasse o médico. O atacante e Leonardo foram os primeiros a entrar no quarto.


