Lico reforça retaguarda do Londrina
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sábado, 12 de julho de 1997
Edmundo Inagaki Londrina 
Marcos Borges
ReproduçãoPassado gloriosoAntônio Nunes, o Lico: hoje, como supervisor do Londrina, e em fotografia dos anos 80, quando integrava o timão papa-títulos do FlamengoSe eu tivesse que fazer uma seleção dos melhores jogadores do Flamengo de todos os tempos - daqueles que vi jogar, pelo menos -, o Lico tinha que estar nela. Trecho do livro Zico Conta Sua História (Ed. FTD).
Catarinense de Imbituba, Antônio Nunes, o Lico, 46 anos, é daquelas pessoas que parecem estar sempre no lugar certo, na hora certa. O meia que virou ponta-esquerda, conquistou todos os títulos que disputou pelo Flamengo no início dos anos 80 - Mundial Interclubes (Copa Toyota) e Libertadores da América em 81, Brasileiro (82/83), Taça Guanabara (81/82/83), Carioca (81), Torneios Tereza Herrera, de Nápoli e Satander, todos em 82. O time-base: Raul; Leandro, Figueiredo, Marinho e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. O técnico era Paulo César Carpegiani.
A carreira vitoriosa foi prematuramente encerrada em 84, depois de grave lesão no joelho direito. Casado com Simone e pai de três filhas (Mônica, Mariana e Marina), Lico é o supervisor do Londrina. Nesta entrevista, o ex-craque relembra com saudade os tempos de Mengão e fala sobre o trabalho desenvolvido no Londrina, time que tem todas as condições de integrar a primeira divisão nacional.
Folha - Qual era o segredo daquele time do Flamengo?
Lico - Em primeiro lugar, a qualidade técnica dos jogadores, que conheciam todos os segredos da bola. Depois havia a responsabilidade de vestir aquela camisa, o profissionalismo, a união e o companheirismo do grupo.
Folha - Muitos torcedores se esquecem que você jogou ao lado de todos aqueles craques ou dizem que era só coadjuvante. Isso o deixa chateado?
Lico - Não, porque sei que não é verdade. O meu grande orgulho foi ver o Zico, o maior ídolo que o Flamengo já teve, reconhecer o meu valor. No ano passado, quando participei da festa dos 15 anos da conquista do título mundial, no Rio, fui agradecer a ele pelo depoimento dado no livro. Aí, o Zico falou: Não precisa dizer obrigado, pois tudo o que eu disse é a pura verdade.
Folha - Você encerrou a carreira por causa da contusão?
Lico - Em 83, num jogo contra o Palmeiras, em São Paulo, recuperei uma bola que estava saindo pela linha de fundo e no momento de girar o corpo para cruzar, o goleiro, que na época era o João Marcos, veio por baixo, abafando, para fazer a defesa. Foi nessa hora que o joelho direito travou, rompendo todos os ligamentos e o menisco. Fiz uma primeira cirurgia nos Estados Unidos, e dois meses e meio depois estava voltando a jogar. Só que fui precipitado, deveria ter esperado mais tempo. Mas eu era novo e inexperiente, queria voltar logo para ganhar os bichos. Tomava infiltrações para entrar em campo. Isso foi piorando a lesão, até que a cartilagem do joelho começou a degenerar. Fizeram uma raspagem no local, e depois passei por mais duas cirurgias. Até que em 84, o doutor Lídio Toledo me examinou e descartou a minha volta ao futebol.
Folha - Como surgiu o convite para trabalhar no Londrina
Lico - No ano passado, estava em Santa Catarina quando o Marinho me chamou para trabalhar aqui no Nichika. Acabei conhecendo várias pessoas ligadas ao Londrina, que me apresentaram aos diretores da Sociedade Amigos do Londrina (SAL) no momento em que eles estavam assumindo o controle do clube. É a primeira vez que assumo a função de supervisor. Mas no Flamengo tive a felicidade de conviver com dois grandes profissionais - Domingos Bosco e Américo Farias - e pude aprender muita coisa com eles. O supervisor é a ponte entre a diretoria e o elenco. Para que as coisas saiam conforme o planejado, é importante dar a tranquilidade aos jogadores para que eles não pensem em outra coisa a não ser jogar futebol.
Folha - Este grupo tem condições de chegar à primeira divisão?
Lico - Precisamos ser humildes, mas temos que sonhar e acordar com esse objetivo. Essa é a nossa luta e filosofia de trabalho. Para obter êxito, o grupo tem que estar unido. Por isso, procuramos escolher atletas com um perfil e conduta profissional de acordo com aquilo que foi definido pela diretoria da SAL. Os homens que estão aqui sabem que podem ganhar muito dinheiro se fizerem direito seu trabalho.


