O esporte esteve sempre presente na vida de Jady Malavazzi. Nem mesmo o acidente automobilístico lhe tirou os movimentos dos membros inferiores, em 2007, foi capaz de afastá-la de uma de suas principais paixões. Foi no esporte que ela encontrou a força que precisava para se recuperar e traçar planos para o futuro.
E se o ditado diz que ''o futuro é a gente quem constrói'', Jady tratou de se levantar e construir o seu. Nesta missão, ela ganhou duas parceiras inseparáveis. A primeira é a mãe Márcia, sua principal incentivadora, e a segunda, é a handbike, que a levou ao título do campeonato brasileiro nas provas contra-relógio e estrada, na categoria H2 feminino, para atletas com comprometimento médio dos membros inferiores.
O resultado lhe garantiu uma pré-convocação para representar o Brasil nos Jogos Parapan-Americanos, que serão realizados entre os dias 19 e 27 de novembro, em Guadalajara, no México. Nada mal para quem iniciou na modalidade há apenas sete meses. ''Realmente não esperava, pois foi minha primeira competição oficial. Mas fiquei muito feliz'', conta a atleta.
Apenas seis meses após sair do hospital, Jady já voltou a praticar esportes. A primeira escolha foi o basquete adaptado, que ela deixou de lado depois de conhecer o paraciclismo no final do ano passado. ''É uma modalidade em que meu resultado depende só de mim. Gosto muito da sensação de liberdade que sinto quando estou na handbike'', revela. ''Também ganhei muita força nos braços, o que me ajuda a fazer coisas simples, como entrar no carro e ir para cama. Me sinto mais independente'', completa a paraciclista.
No início, a principal dificuldade era comprar uma handbike, já que uma nova custa cerca de R$ 15 mil. Foi aí que entrou o treinador, Tiago Gorgatti. ''Um ex-atleta dele tinha uma (handbike) e não ia usar mais. Eu e minha mãe estamos pagando aos poucos''.
Com a magrela garantida, era hora de se dedicar aos treinos. Todos os dias, Jady passa pelo menos 1 hora e meia montada em sua handbike, se preparando para os novos desafios. ''Ela é muito determinada. Quando trabalho até um pouco mais tarde e não posso trazê-la para os treinos ela não gosta. O esporte faz muito bem para ela'', diz Márcia, que trabalha como decoradora e é a responsável por levar a filha para treinar.
E os resultados poderiam ser ainda melhores se a paraciclista tivesse um local adequado para aprimorar seus treinamentos. Em Jandaia do Sul (Norte), onde nasceu e mora com a mãe e um irmão mais velho, Jady é obrigada a encarar o perigo da rodovia para treinar. ''Fico com medo, mas preciso treinar. Já fui atrás de alguns lugares, até em Londrina, mas não deu certo'', afirma.
Nada que a faça pensar em parar. Muito pelo contrário. Os planos estão bem vivos em sua cabeça. ''O esporte me proporcionou muitas coisas boas, me ensinou a querer mais. Por isso quero aproveitar o máximo que eu puder e sempre fazer o melhor possível'', finaliza a campeã brasileira, que já sonha com um título muito maior. ''Quem sabe um dia ir para as Paraolimpíadas. Acho que é possível chegar a este nível. É treinar e treinar...''
No Campeonato Brasileiro de Paraciclismo, Jady contou com o apoio do Instituto Mara Gabrilli e a equipe de ciclismo de São José dos Campos (SP).

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