LIBERTADORES - Pé-vermelho é campeão da América
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quinta-feira, 17 de agosto de 2006
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
A família do meia Alex, do Internacional, comemorou muito no Norte do Paraná a conquista do título da Libertadores. Alex Raphael Meschini, 24 anos, um dos curingas do time de Abel Braga atua tanto no meio-campo quanto na lateral-esquerda , tem parentes em Cornélio Procópio, onde nasceu; em Santa Amélia (63 km ao sul de Cornélio), onde moram seus pais, André e Adélia; e em Kaloré (55 km ao sul de Apucarana), onde reside a família de sua esposa.
''Sofremos bastante lá em casa torcendo por ele. Aquele jogo (de quarta-feira) não acabava nunca'', comentou o tio Ozídio Meschini, 48, que trabalha como técnico de informática em Londrina, mas mora em Cornélio. Ozídio, que é padrinho de casamento do jogador, conviveu bastante com Alex e disse que na escola e no time de sua cidade (Santa Amélia, onde o meia morou dos 7 aos 16 anos), ele era o grande destaque. ''Era um garoto diferenciado dos outros, habilidoso'', recorda Ozídio, que é santista, mas virou simpatizante do Colorado por causa do sobrinho.
''Só ele virou jogador na família, o resto é tudo perna-de-pau que nem eu'', brincou o irmão Alison Meschini, 28, que é agrônomo da Cooperativa Integrada em Mauá da Serra (54 km ao sul de Apucarana). ''Somos em três irmãos e ele é o caçula. Foi o único que teve dom para jogar bola. Mas não é profissão fácil, não'', ressalvou Alison.
Segundo ele, Alex teve dificuldades no começo da carreira e entre 2004 e 2005 passou por períodos sérios de contusão. ''Primeiro, operou o tornozelo e ficou cinco meses sem poder jogar. Depois teve problemas no púbis que lhe causam dores até hoje'', informou.
Sobre o título inédito, Alison disse que ''foi um tanto inesperado''. ''A gente sempre tinha esperança de que ele (Alex) seria um vencedor, mas não imaginava que isso aconteceria tão cedo, afinal é muito novo e pouco conhecido no País'', comentou.
Como toda a família se criou no Norte do Paraná, a maioria torce para clubes paulistas. Alison, por exemplo, é palmeirense. ''Porém, depois que ele começou a jogar, passei a torcer também para o Guarani, onde ele (Alex) se profissionalizou, e para o Inter, onde conquistou os seus títulos'', contou o irmão.
Carreira Filho de agricultores, Alex nasceu em Cornélio e dos 2 aos 7 anos morou em Itambé (37 km ao sul de Maringá). Depois foi para Santa Amélia, onde começou a se destacar no futsal, disputando Jogos Abertos e Campeonatos Paranaenses. Com 16 anos foi para Campinas, onde estreou no futebol de campo no Primavera de Indaiatuba. Transferiu-se para o Guarani em 2003 e lá ficou um ano e meio.
Está no Inter desde 2004, onde começou atuando na lateral e já marcou 12 gols, o mais importante deles no jogo de volta da semifinal da Libertadores contra o Libertad, do Paraguai, no Beira-Rio, quando o time gaúcho venceu por 2 a 0 e garantiu vaga na final.
Ontem, a Folha não conseguiu contato por telefone com o meia. Ao site oficial do clube, Alex declarou que os jogadores do Inter construíram ''uma família''. ''Enfim, conquistamos esse título que estava entalado na garganta do torcedor'', afirmou.
EM PORTO ALEGRE
Inter 2
Clemer; Bolívar, Índio e Fabiano Eller; Ceará, Edinho, Tinga, Alex (Michel) e Jorge Wagner; Fernandão e Rafael Sobis (Ediglê). Técnico: Abel Braga
São Paulo 2
Rogério Ceni; Fabão, Lugano e Edcarlos (Alex Dias); Souza, Mineiro, Richarlyson (Thiago Ribeiro), Danilo (Lenilson) e Júnior; Leandro e Aloísio. Técnico: Muricy Ramalho
Árbitro: Horacio Elizondo (ARG)
Estádio: Beira-Rio
Expulsão: Tinga
Gols: Fernandão aos 30 minutos do 1º tempo; Fabão aos 6, Tinga aos 21 e Lenílson aos 40 minutos do 2º tempo


