Liberação de áreas esportivas desafia fiscalização em Ibiporã
Prefeitura autoriza retorno de atividades em espaços particulares e admite dificuldade para controlar cumprimento do decreto
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de setembro de 2020
Prefeitura autoriza retorno de atividades em espaços particulares e admite dificuldade para controlar cumprimento do decreto
Gustavo Andrade - Especial para a FOLHA 
Ao que tudo indica, a pandemia ainda não acabou. Praias, bares, restaurantes e ruas lotados dão o tom do comportamento do brasileiro em meio à maior crise sanitária do mundo atual, enquanto médicos e autoridades trabalham para liberar gradualmente o retorno das atividades.

Em Londrina, por exemplo, a liberação dos parques ao ar livre se dá no momento em que cresce a ocupação dos leitos de UTIs nos hospitais, algo que pode levar a cidade a entrar na bandeira vermelha.
Porém, para os amantes da boa e velha “pelada” e resenha com os amigos sempre há uma luz no fim do túnel, neste caso, uma luz no fim da estrada. Em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), a prefeitura municipal, por meio de um novo decreto, liberou o retorno de práticas esportivas nos campos particulares. Vale ressaltar que Ibiporã, com pouco mais de 53 mil habitantes, tem atualmente 910 casos e seis óbitos confirmados de Covid-19, segundo dados da Sesa (Secretaria Estadual de Saúde).
Claudia Archanjo Guandalini, secretária de Esportes de Ibiporã, salienta que apesar da liberação para as atividades é sempre importante lembrar de seguir todos os protocolos. “O retorno foi liberado somente para os espaços particulares, os espaços públicos ainda não foram liberados. O decreto pede que se cumpram algumas medidas de segurança, e o Coesp do município entendeu a nossa proposta, mas a gente ainda tem uns problemas que estão acontecendo e algumas pessoas não estão cumprindo o que o decreto pede”, alerta.
RECOMENDAÇÕES
De acordo com o decreto nº 325 do município, para que sejam realizadas atividades nestes locais é necessário seguir algumas recomendações. Desinfecção do local sempre após cada partida de futebol, fornecimento de álcool 70% e proibição da permanência dos times nos clubes ou arena após os jogos. “O ideal seria exigir os testes de Covid-19 para que se utilize estes espaços, mas como o espaço é privado cabe ao responsável tomar essa providência, a exigência do uso de máscaras, medição de temperatura, higienização dos clubes, mas a gente sabe que nem todos cumprem, tanto é que dois clubes da cidade já foram notificados”, comenta Guandalini.
Com a liberação, o Campeonato Intermunicipal F7 de futebol retomou os jogos em Ibiporã. Presidente da Liga de Futebol F7 de Londrina e organizador do torneio, Fabner Oliveira conta como tem atuado. “Sou só locatário do espaço. O proprietário pede para seguirmos as regras, mas nós estamos fazendo até mais do que o decreto pede. Estamos fazendo a aferição de temperatura dos atletas, proibimos a presença de torcedores, os atletas ficam de máscara no banco de reservas, espalhamos álcool em gel em pontos específicos e proibimos a presença de torcedores. Outros estados estão voltando e estão seguindo a mesma linha”, lembra.
A paralisação das atividades em meio à pandemia tem gerado em todo o país mais desemprego e aumento da crise financeira. Para o presidente da liga, a solução não é muito difícil. “Muita gente depende disso aqui. Árbitros, donos de bares e restaurantes, os próprios times, muitas pessoas tiram sua renda disso. Em Londrina ou em Cambé, as pessoas podem praticar suas atividades, seja na rua ou na academia, de máscaras. Por que que não libera o retorno do futebol com a máscara também? 'Não pode ter contato', mas dentro de um ônibus, academia de luta, trabalho, supermercado tem contato o tempo todo. O futebol traz benefícios não só pra saúde física, mas também mental”, finaliza.
Descumprimento pode levar à perda de alvará
O não cumprimento do decreto pode trazer consequências pesadas para o proprietário do local. “Num primeiro momento o descumprimento das regras gera uma notificação. Caso haja um novo descumprimento o infrator pode tomar multas que variam e pode chegar até a perder o alvará de licença”, conta a secretária de Esportes de Ibiporã, Claudia Guandalini.
O presidente da Liga de Futebol F7 em Londrina, Fabner Oliveira, afirma que com a liberação dos jogos, o controle do cumprimento das regras fica muito mais fácil. “Nós sabemos que tem muita gente jogando de forma irregular, aqui no nosso campeonato temos o controle, fazemos tudo o que pede o protocolo e muito mais. Estamos dentro da legalidade, de maneira organizada e levamos nosso campeonato pra Ibiporã porque a prefeitura de lá entendeu que com as medidas necessárias é possível sim”, explica
Em Ibiporã, um serviço de disque-denúncia foi criado para que as pessoas possam apontar possíveis aglomerações fora da regularidade. Como a cidade não possui guarda municipal, cabe ao já sobrecarregado serviço da Polícia Militar a fiscalização desses espaços. “Cabe à Secretaria de Esportes a fiscalização dos espaços públicos, a importância do isolamento, distanciamento e uso de máscaras. A fiscalização dos espaços privados é competência da Polícia Militar e do Coesp, junto com o ministério público”, afirma a secretária.


