O Cruzeiro já realizou 75 partidas nesta temporada e pode ter mais seis pela frente, até a virada do ano, caso as finais do Brasileiro, contra o Corinthians, e da Copa Mercosul, diante do Palmeiras, não sejam definidas em apenas dois confrontos, cada uma. Apesar de admitir o desgaste dos jogadores, o técnico Levir Culpi está confiante na possibilidade de duplo sucesso, o que poderia fazer da equipe uma das recordistas brasileiras em conquista de títulos, em um único ano - seriam três, junto com o tricampeonato estadual, no primeiro semestre.
‘‘Estamos praticamente no nosso limite físico, mas pela alegria que estamos sentindo neste momento, vamos ter forças para terminar o ano, quem sabe, com os títulos das duas competições’’, afirmou o treinador, após a vitória de 1 a 0 sobre a Portuguesa, quarta-feira, no Canindé. ‘‘Só é preciso ressaltar que não está nada ganho, ainda: temos uma reserva de energia, mas precisamos do apoio da torcida para dobrar tanto o Corinthians quanto o Palmeiras, nos jogos de domingo e quarta-feira, no Mineirão’’, acrescentou Levir, que nem pensa em escalar time misto para a decisão da Mercosul, cujo campeão recebe US$ 3 milhões e o vice, US$ 1 milhão.
O preparador físico Odilon Guimarães lembrou que, a despeito da maratona de jogos decisivos e de viagens a que o time tem se submetido, o rendimento dos atletas é satisfatório, na reta final dos dois torneios. ‘‘Apenas dois ou três jogadores estão mais desgastados que a média, mas o grupo, de um modo geral, tem suportado bem o ritmo das partidas’’, ressaltou. Para Guimarães, os cruzeirenses estão dispostos a fazer qualquer sacrifício para conseguir o título. Os jogadores, suas esposas e famílias sabem das dificuldades que teremos pela frente, mas aceitam pagar esse preço por se tratar de um momento único e importante’’, disse.
O time do Cruzeiro, que chega pela terceira vez a uma final de Campeonato Brasileiro - a última foi há 23 anos, contra o Vasco -, foi recebido com festa por dezenas de torcedores, no início da tarde de ontem, no Aeroporto da Pampulha, zona norte de Belo Horizonte. Os torcedores, uniformizados e com bandeiras, cantaram o hino do clube ao som de um trio elétrico. Apesar de comovidos, os jogadores procuraram conter o otimismo em relação ao campeonato nacional, e negaram um suposto favoritismo na decisão.
‘‘Tivemos uma arrancada violenta no campeonato, saímos da 20ª colocação e, apesar de poucos acreditarem, chegamos à final’’, disse o zagueiro Wilson Gottardo. ‘‘Mas o Corinthians é uma grande equipe e ainda temos uma batalha muito dura pela frente, para ficar com o título.’’ Às 16h30, o grupo se reapresentou na Toca da Raposa e iniciou os preparativos para o jogo de domingo, no Mineirão.
Quem atuou na partida contra a Lusa tinha programados ducha, massagens, revisão médica e uma corrida leve, no final da tarde. Odilon Guimarães garantiu que não há qualquer problema de contusão na equipe. O único desfalque será o lateral-esquerdo Gilberto, suspenso por ter levado o terceiro cartão amarelo. O mais provável é que o ala-direito Gustavo, que volta à equipe, seja improvisado na posição.

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